sábado, 20 de janeiro de 2018

GENERAL DYNAMICS LAND SYSTEM M-1A1/A2 ABRAMS



FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 72 Km/h.
Alcance Maximo: 500 Km.
Motor: Uma turbina Honeywell AGT 1500 de 1500 HP
Peso: 69.5 Toneladas.
Comprimento: 9,8 m
Largura: 3,4 m.
Altura: 2,4 m
Tripulação: 4
Inclinação frontal: 60º
Inclinação lateral: 40º
Passagem de vau: 1,2 m
Obstáculo vertical: 1 m
Armamento: Um canhão M256 de 120 mm ; 2 metralhadoras M240 (FN MAG) de 7.62 mm (Uma coaxial); 12 lançadores de fumaça.


Autor: Vympel
PREFÁCIO
O desenvolvimento do carro de combate M1 Abrams foi influenciado pelos resultados do conflito Árabe-Israelense de 1973 (Yom Kippur), conflito este onde ocorreu a maior concentração de MBT’s (Main Battle Tank) no período pós segunda guerra mundial, onde a superioridade qualitativa e numérica árabe não conseguiu vencer as unidades israelenses, estas melhor coordenadas e treinadas, embora usassem equipamentos inferiores e em menor número.
Como estas características eram semelhantes as encontradas na Europa durante a guerra fria, os Estados Unidos desenvolveram uma nova doutrina militar, a qual aceitou a diferença de correlação de forças entre a URSS e a OTAN e priorizou o conceito de “armas combinadas”, onde os principais frutos desta doutrina foram o E-3 Sentry, o E-8 Joint stars, o M2 Bradley e o M1 Abrams, além do novo conceito que viria futuramente a ser chamado de “guerra centrada em redes”. Este novo entendimento do campo de batalha moderno levou a criação do conceito de “batalha terra-ar” criado em 1976, e consolidado na “doutrina terra-ar” de 1982.

A ORIGEM
A esmagadora superioridade numérica da União Soviética em praticamente tudo relacionado a forças convencionais, levou os EUA e seus aliados a tentativas de desenvolvimento de MBT’s que integrassem de forma harmoniosa as três áreas básicas do desenvolvimento de um MBT (proteção, mobilidade e poder de fogo) conseguindo assim superioridade tática, algo que nenhum país da OTAN havia conseguido anteriormente. Exemplos disso foram o AMX-32 francês e o Chieftain Britânico, o primeiro possuía excelente mobilidade e poder de fogo, mas uma proteção insuficiente e o segundo excelente poder de fogo e proteção, mas era pobre em mobilidade. A substituição do M60 “Patton” pelo novo MBT foi concorrida entre Chrysler Corporation (XM1) e a Divisão Allison da General Motors (MBT-70/XM803).
Após o fracasso no desenvolvimento do MBT-70 pela empresa Allison Corporation, foi posto em produção limitada no ano de 1979 pela empresa Chrysler Corporation (hoje General Dynamics), com os primeiro M1 Abrams concluídos em 1980. Atualmente, é o MBT do US Army, USMC, Egito, Kuwait, Arábia Saudita, Austrália e Iraque, com cerca de mais de 9.000 unidades produzidas, com cerca de 8.580 milhões de dólares a unidade (dados de 2012).
ARMAMENTO PRINCIPAL
O armamento principal do M1A2 Abrams é o Rheinmetall M256 L55 de calibre 120mm na versão americana, este que substituiu o M68A1 de calibre 105mm das versões iniciais de produção. Disparando uma enorme gama de munições padrões da OTAN, destacam-se as munições cinéticas modelo M829 APFSDS-T, as quais utilizam um penetrador de urânio empobrecido extremamente denso e com alta capacidade de penetração (duas vezes e meia mais que o aço).
Foram desenvolvidas a partir do começo da década de 90 para se contrapor as blindagens explosivas reativas (ERA) de fabricação soviética Kontakt-1 desenvolvidas no período. A versão mais atual e ainda em desenvolvimento é a M829A4, é voltada para fazer frente a ERA de fabricação russa denominada Kaktus e Relikit, que equipa atualmente o MBT russo T-90 Tagil.
Acima: Diagrama do canhão Rheinmetall M256 L55 que equipa o M-1 Abrams.
A versão básica do Rheinmetall 120mm foi modificada e atualmente estas modificações equipam os MBT’s Leopard 2 alemão, o Type 90 japonês, o Altay turco, e o K1A1 sul-coreano, além do próprio M1 Abrams.
Devido ao aumento do diâmetro (de 105 para 120 mm) o armazenamento de munições foi reduzido para 42 disparos no M1A2 (trinta e seis na torre e seis no chassi, prontos para o disparo).

Especificações do canhão:
Peso (somente o tubo): 1.190 kg
Peso (completo): 3.317 kg
Comprimento (L44): 5.28 metros
Comprimento (L55): 6.6 metros
Calibre: 120mm
Velocidade inicial: 1.750 m/s
Alcance de utilização: 4.400 metros

MUNIÇÕES UTILIZADAS PELO M256 L55 120 mm

As munições que são utilizadas no M-256 120mm dividem-se em munições de energia cinética (KE),  de alto explosivo anti-tanque (HEAT), alto explosivo (HE), Canister (antipessoal) e de treinamento (TP). As munições KE utilizam-se de um penetrador subcalibrado de urânio empobrecido (DU) estabilizado por aletas traseiras. Viajando a uma velocidade supersônica, este penetrador concentra um nível extremamente elevado de energia cinética sobre uma área relativamente pequena da superfície do alvo. A energia elevada permite que a munição KE penetre nas placas de blindagem mais resistentes.

Acima: Penetrador subcalibrado de urânio empobrecido (DU) com os calços descartáveis (sabot) desconectando-se em voo
As munições de alto explosivo anti-tanque (HEAT), por outro lado, levam uma ogiva de carga oca com um penetrador de cobre, utilizando-se do efeito de monroe. Esta ogiva, com sua capacidade de explosão e fragmentação inerente, também fornece a capacidade antimaterial e antipessoal.
As munições Canister, são utilizadas contra pessoal em áreas abertas, as munições de alto explosivo (HE) são utilizadas contra estruturas as de treinamento são utilizadas em estandes de tiro, comumente dotadas de limitadores de desempenho (cones de estabilização) por questões de segurança.

1 - Antipessoal, com 11 kg de esferas de tungstênio
2 - (Armor piercing, fin stabilized, discarding sabot – tracer) – Perfurante de blindagem, estabilizada por aletas com calço descartável – traçante
3- (High-explosive, anti-tank, multipurpose – tracer) – Alto explosivo antitanque multipropósito – traçante
4 - (Target practice multipurpose – tracer) – Treinamento de tiro, multipropósito – traçante
5 - (Target practice – tracer) – Treinamento de tiro – traçante
6 -(High explosive, anti-tank, multipurpose – tracer) – Alto explosivo antitanque multipropósito – traçante
7 - (High-explosive, obstacle reduction – tracer) – Alto explosivo para redução de obstáculos – traçante
8 - (Target practice, cone stabilized, discarding sabot – tracer) - Treinamento de tiro, estabilizada por cone com calço descartável – traçante

ARMAMENTO SECUNDÁRIO
Existem três metralhadoras utilizadas como armamento secundário no M1 Abrams. Uma Browning M-2HB calibre .50 (12.7X99 mm) na cúpula do comandante, uma M-240 7,62 mm na cúpula do municiador e outra M240 coaxial ao armamento principal. O total de munição embarcada é de 11.400 tiros de 7,62 mm e 1.000 tiros de 12.7 mm.
Além das metralhadoras, existem dois lançadores de granadas de fumaça com seis (M250) ou oito (M257) lançadores cada de calibre 66 mm, as quais geram uma fumaça que bloqueia a visão térmica dos designadores inimigos.

Acima: A poderosa  metralhadora M-2HB ou "Ma Deuce" para os mais íntimos, com sua potente munição calibre.50 (12,7X99 mm) faz parte do arsenal secundário dos Abrams.

SISTEMAS
A versão mais atualizada em serviço é o M1A2 SEP V2, a qual recebeu várias modernizações. As atualizações incluem monitores coloridos para o motorista, comandante, e o artilheiro, em comparação com displays monocromáticos do M1A1, bem como visores térmicos para cada posição, dando ao comandante consciência situacional e ao artilheiro melhor visão situacional.
O M1A2 SEP V2 é baseado na plataforma M1A2,  digitalizado com um melhor pacote de blindagem de terceira geração, com uma nova placa de urânio empobrecido revestido de aço na torre, um novo sistema de comando e controle, FLIR de terceira geração que inclui visualização térmica independente para o comandante (que lhe dá 360 graus de consciência situacional, podendo assim o comandante procurar por um alvo, enquanto o artilheiro está visando um alvo diferente), a ser utilizada em  operações ”caçador/matador“, nova Unidade de Potência Auxiliar (APU),  a qual permitirá o funcionamento dos sistemas eletrônicos mesmo com o motor desligado, e um novo sistema de ar condicionado para tripulação e os eletrônicos.

Acima: Nesta foto podemos ver o M1A2 SEP V2
O M1A2 SEP também possui sistema eletrônico avançado, como mapas e displays coloridos, melhoria das comunicações em rede, alta capacidade de memória computacional e maior velocidade de microprocessamento, além de uma mais amigável interface entre homem/máquina, tudo isto em um sistema operacional de computação aberto, que fará com que as futuras atualizações sejam mais facilmente implementadas.
Outra melhoria implementada é o CROWS II, que permite que o comandante para disparar a metralhadora .50 remotamente, sem abrir escotilha.

Acima: Visão do comandante em situação de combate noturno

BLINDAGEM

O M1 Abrams desde o começo foi privilegiado por incorporar o conceito de blindagem “Chobham”, desenvolvido na Inglaterra, o qual constitui em camadas de compostos cerâmicos, metálicos e não-metálicos aplicados diretamente na blindagem convencional de aço do veículo, que fornecem excepcional resistência, embora aumentem em muito o peso do veículo.
O urânio empobrecido é usado também para reforçar a blindagem dos M1 Abrams. O Exército dos EUA revelou publicamente o uso de armadura DU (Depleted Uranium – urânio empobrecido) em março 1987. A partir de 1993, o Exército dos EUA adquiriu cerca de 1.500 MBT’s Abrams M1A1 equipados com armadura DU, com planos para mais de 3.000. Quando aplicado no Abrams, DU é inserido na placa frontal da torre, e em seguida coberto com placas de aço. As torres dos Abrams que possuem DU são classificadas como HA (Heavy Armor) e são marcadas por um “U” (de urânio), perto do armamento principal do lado direito, como parte do número de série do mesmo.

SISTEMAS DE PROTEÇÃO
Black Fox (Eltics LTDA- Israel) - Em desenvolvimento.
Comercializado como “Electronic Thermal Infrared Countermeasure System” (ETICS), o sistema de camuflagem térmica Black Fox utiliza placas de camuflagem ativa, do lado de fora do veículo, bem como dois FLIR panorâmicos. As câmeras FLIR oferecem total cobertura de 360 ​​graus em torno do veículo. A câmera FLIR realiza varreduras e captura a textura térmica do ambiente em todos os momentos, inclusive quando o veículo está em movimento, e a imagem térmica resultante é projetado sobre as placas de camuflagem ativa ao redor do veículo.
A câmera FLIR  escaneia e captura a textura térmica do ambiente. A imagem capturada é então processada no computador o principal. O resultado é fornecido para as placas de camuflagem ativa para imitar a textura térmica do ambiente ao redor do veículo. Mesmo que as placas de camuflagem ativa estejam localizadas perto de uma fonte de calor elevada, tal como o motor, a placa não é afetada, e todo o veículo permanece invisível. Seja qual for o ambiente, seja qual for a velocidade, o sistema de controle de assinatura modifica a assinatura térmica para tornar a plataforma invisível.
Black Fox também pode criar falsa consciência situacional  no campo de batalha, gerando uma assinatura térmica falsa de um banco de dados pré-programados. Podendo assim, simular a assinatura de outros veículos. Um MBT   pode exibir assim a assinatura térmica de um Humvee ou um mesmo veículo civil.
Então, ao mascarar ou dissimular a sua assinatura térmica, são fornecidos ao usuário segundos cruciais para ver primeiro, atirar primeiro, e enfim, destruir primeiramente o inimigo.
Iron Curtain (APS) - Em desenvolvimento.
O Iron Curtain (APS) é um sistema de proteção ativa projetado pelo Artis, uma empresa americana de fabricação e desenvolvimento de tecnologia localizada em Herndon, Virginia. O sistema é projetado para proteger os veículos militares de mísseis antitanque, foguetes e granadas.
Quick Kill (APS) - Em desenvolvimento
Quick Kill (APS) é um sistema de proteção ativa projetado para destruir mísseis antitanque, foguetes e granadas. O sistema Quick Kill foi concebido e produzido pela Raytheon para o Exército dos EUA, fazendo parte do Sistema de Combate Futuro do Exército dos Estados Unidos.
AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD) Operacional desde 1990
Alguns M1 Abrams estão equipados com um sistema de proteção ativa softkill, designado AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD), que interfere nos sistemas de orientação de alguns mísseis guiados antitanque (ATGM) de orientação por comando semiautomático para linha de visada (SACLOS), guiados por fio, por rádio ou por infravermelho. O AN/VLQ-6 funciona emitindo um sinal de infravermelho extremamente poderoso, confundindo assim o sistema de guiagem do ATGM. No entanto, a principal desvantagem do sistema é que o ATGM não é destruído, mas somente dirigido para longe do seu alvo. Este dispositivo é montado sobre o alto da torre, na frente da escotilha do municiador.

Acima: O sistema AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD) já é operado em alguns MBTs M-1Abrams desde os anos 90.

PROPULSÃO
A propulsão dos vários modelos do M1 Abram é feita pela turbina a gás Honeywell AGT1500, com potência máxima de 1500 hp, podendo utilizar vários tipos de combustível disponíveis (diesel, gasolina, combustível de aviação), dando-lhe uma velocidade máxima controlada de 45 mph (72 km / h) em estradas pavimentadas e 30 mph (48 km / h) em terreno acidentado.
O AGT1500 é muito confiável em operação, no entanto, seu consumo de combustível é alto (somente para dar a partida no mesmo, consome-se 38 litros). O motor queima mais 6,3 litros por milha (230 litros por hora) quando viajam em terreno acidentado e 38 litros por hora quando ocioso. Problemas quanto á emissão de radiação infravermelha também é uma característica deste motor, o qual faz o Abrams ser suscetível a ser detectado no campo de batalha

Acima: Turbina a gás Honeywell AGT1500 sendo retirada para manutenção.

PRINCIPAIS VERSÕES DE COMBATE
M-1 (1980) – Modelo básico com armamento principal de 105 mm com 55 tiros
M-1A1 (1984) – Novo armamento principal calibre 120 mm modelo M256, com 40 tiros
M-1A1HA (1988) – Torre reforçada com DU (Depleted Uranium – urânio empobrecido) de primeira geração.
M-1A1HC (1990) – Aumento para 42 disparos.
M-1A1NA + (1991) – Torre reforçada com DU (Depleted Uranium – urânio empobrecido) de segunda geração.
M-1A2 (1994) – O M1A2 oferece o comandante visão térmica independente e capacidade para, em seqüência rápida, atirar em dois alvos, sem a necessidade de adquirir cada um em sequência.
M-1A2 SEP (1999) - Câmeras de imagem térmica de 2 ª geração, DU de terceira geração
M-1A2 SEP V2 (2008) -  Telas coloridas para a exibição situação tática, com vistas eletro-ópticos e canais infravermelhos, motor modificado e novos meios de comunicação que são compatíveis com as redes de informação unidades de combate de infantaria e suas formações. Modernização também inclui a introdução de outras tecnologias desenvolvidas no âmbito do programa “Future Combat Systems”.
M-1A2S (2011) – Modernização dos M1A1 e M1A2 das Forças Armadas da Arábia Saudita.
Tank Urban Survival Kit (TUSK) – Aumento da capacidade de combate em áreas urbanas, concebido para instalação em MBT’s M1A1 e M1A2, proteção dinâmica para aumentar a blindagem lateral, visão térmica para a metralhadora M-240, escudos para proteger o comandante e o carregador quando vistos a partir das escotilhas abertas, novo sistema de comunicação com a infantaria, metralhadora M-2 controlada remotamente (CROWS II).

Acima: Podemos ver neste diagrama os sistemas que compõe o Tank Urban Survival Kit (TUSK)

PRINCIPAIS VERSÕES DE APOIO AO COMBATE 
M-1 Grizzly Combat Mobility Vehicle (CMV): Veículo especializado em limpar campos minados, neutralizar obstáculos, demolir bermas e preencher valas anticarro para as forças móveis.
M-1 Panther II Mine Clearing Vehicle (MCV): Veículo especializado em detecção e limpeza de minas.
M-104 Wolverine Heavy Assault Bridge (HAB): Veículo especializado lançador de ponte, com ponte de 26 metros de comprimento.
M-1 ABV Assault Breacher Vehicle (ABV): Veículo concebido para limpeza de campos minados e obstáculos complexos para o USMC.

Acima: Aqui temos um M-1 Panther II Mine Clearing Vehicle (MCV) que opera limpando campos minados.

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