sábado, 20 de janeiro de 2018

LOCKHEED MARTIN F-35 LIGHTNING II


FICHA TECNICA (F-35A)
Velocidade de cruzeiro: Mach 0.9 (1111 km/h)
Velocidade máxima:
 Mach 1.67 (2062 km/h)
Razão de subida: *15240m.
Potência: 0,89.
Carga de asa: 103.5 lb/ft².
Fator de carga: 9 Gs.
Taxa de giro instantânea: 26º/s.
Razão de rolamento: *250º/s.
Teto de Serviço: 18300 m.
Raio de ação/ alcance: 1400km/ 2800km.
Alcance do radar: AN/APG 81 - 150 km contra alvos de 1m2 de RCS.
Empuxo: Um motor Pratt & Whitney F-135 com 19100 kgf de empuxo máximo.
DIMENSÕES
Comprimento: 15,85m.
Envergadura: 10,40m.
Altura: 5,28 m.
Peso: 13199 kg.
Combustível Interno: 18479 lb
ARMAMENTO
Ar Ar: Míssil AIM120C Amraam, MBDA Meteor, AIM9X sidewinder, MBDA AIM-132 Asraam
Ar Terra: GBU-31 JDAM, AGM-154 JSOW, Raytheon AGN-65 Maverick, Raytheo AGM-88 HARM, Boeing AGM-84 Harpoon,
Interno: 1 canhão General Electric GAU-22/A de 25mm.

DESCRIÇÃO 
Por Carlos E.S.Junior
Com o objetivo de substituir diversos modelos de aviões de combate da marinha e da força aérea por um avião que fosse capaz de sobreviver no campo de batalha do século 21, os programas de desenvolvimento de novos caças, em andamento na marinha norte americana (US Navy) através do programa CALF (Common Affordable Lightweight Fighter) e na força aérea norte americana (USAF) pelo programa JAST (Joint Advanced Strike Technology) se uniram em um só programa que foi renomeado para JSF (Joint Stryke Fighter) ou “caça de ataque conjunto”. Nesse novo programa havia três modelos concorrentes, sendo que um deles foi desenvolvido pela McDonnell Douglas que apresentou um modelo de caça sem superfície de controle vertical (tail less), que logo foi desclassificado por apresentar um risco maior no desenvolvimento, já que se tratava de um projeto muito inovador e que provavelmente estouraria o orçamento. A outra empresa que foi selecionada para apresentar uma proposta para um caça de ataque conjunto foi a Boeing, que propôs o X-32, um avião com asa em delta alta, e com um aspecto bastante estranho, considerado até, como feio por alguns observadores. E por ultimo, a Lockheed Martin, com o X-35, um caça com desenho mais convencional que se parecia com outro produto desta importante companhia, o F-22 Raptor.

Acima: A esquerda o modelo Boeing X-32, derrotado pelo X-35, a direita, desenvolvido pela Lockheed Martin. Notem que o desenho do X-35 é bastante mais convencional que o X-32.
Na verdade, o X-35 parecia uma versão monomotora do F-22. Em 26/10/2001 a Lockheed Martin foi, oficialmente, declarada vencedora do contrato do JSF. Esse contrato, avaliado em US $ 200.000.000,00 (duzentos bilhões de dólares), é o maior contrato militar para uma aeronave de combate já assinado na historia. A Inglaterra entrou no programa do JSF, com a sua empresa Bristish Aerospace BAE, junto com a Lockheed Martin, porque ela precisava, também, substituir seus, já cansados, Harriers e Sea Harriers. Assim sendo, os aviões a serem substituídos por este expressivo programa, serão os F-16 e A-10 da USAF; os F/A-18 A/C da US Navy e dos Marines; Os Harriers GR 7, Sea Harriers da Royal Navy e o AV-8B Harrier II dos Marines americanos. O primeiro voo da versão de produção do F-35 teve lugar em 15/12/2006 em Forth Worth, Texas, sede da Lockheed Martin.
Acima: O primeiro protótipo do F-35A se mostra com importantes diferenças aerodinâmicas em relação ao modelo X-35 que concorreu no programa JSF.
O F-35 é um avião extremamente moderno. Nele está sendo instalado o que há de mais avançado em aviônica, sensores e armamentos. No painel deste caça, já se observa a revolução que se tornará tendência nos próximos projetos de caças tripulados. De cara, o que chama a atenção das pessoas que já tem alguma familiarização com cockipts de aviões de combate, é a ausência do HUD ou tela acima da cabeça, que é o instrumento onde se faz a navegação e a mira nos caças anteriores. No F-35, essas informações estão apresentadas no próprio capacete do piloto, através do HMD ou tela montada no capacete, tecnologia já existente em muitos caças, mas com aplicações ainda limitadas às manobras de combate e que no F-35, será o substituto do HUD, por tanto com funções mais amplas. Outra diferença é a existência, no painel, de um único display MFD, de grande dimensão, que apresenta todas as informações para o piloto, que antes tinha que olhar em 3 ou 5 MFDs. Um sistema de som em 3 D, montado dentro da cabine do piloto permitirá diminuir o tempo de reação em combate através de uma voz sintetizada, que será a voz do caça e que poderá alertar o piloto de ameaças que ele venha a sofrer. Por exemplo, se o caça alertar para uma ameaça às 9 horas, o som virá da esquerda do piloto, para que o piloto olhe instintivamente para esse lado.
O radar desenvolvido para o F-35 é o Northrop Grumman AN/APG 81 do tipo AESA e que permitirá um desempenho de 150 Km de alcance de busca ar ar contra um alvo com 1m2 de RCS (caças de 4º geração com tratamento para dificultarem sua detecção, como F/A-18E Super Hornet, Typhoon, JAS-39 Gripen) ou ainda 240 km contra um alvo com 5m2 de RCS (caças comuns como o F-15 Eagle, MIG-29, etc...). Este radar tem capacidade de busca ar terra simultaneamente com a busca ar ar, uma capacidade inerente a radares AESA. Fora isso, esse radar pode ser usado para interferir nos radares inimigos, permitindo capacidade de guerra eletrônica ativa. 
Acima: O sensor EOTS montado abaixo do nariz do F-35 traz para a fuselagem do avião um equipamento que antes só era usado pendurado em cabides externos.
Um dos sensores avançados instalado no F-35 é o AN/ AAQ-40 Electro-Optical Targeting System (EOTS), fabricado pela Lockheed. Esse sistema proporciona detecção passiva termal e designação de alvos por feixe laser. Outro sensor é o AAQ-37 DAS (Distributed Aperture System), que fornece visão a uma cobertura em 360º em volta da aeronave através de múltiplas pequenas câmeras infravermelhas. Esse sistema é usado para a navegação da aeronave, alerta de mísseis em aproximação e detecção de alvos. Este sistema fornece um recurso inédito em aeronaves de combate que é a capacidade de o piloto enxergar através do piso do avião. As imagens geradas são mostradas no capacete HMD do piloto.
Ainda, tratando das capacidades dos sistemas eletrônicos do F-35, foi instalado um sistema data link de comunicação segura avançado MADL (Multifunction advanced data Link) que permitirá a troca de informações do F-35 com outras aeronaves.
Acima: O painel do F-35 é o mais avançado já desenvolvido na história da aviação. Seus comandos são do tipo touch screem facilitando ainda mais a execução das tarefas do piloto.
Uma das maiores dificuldades desse projeto de caça era conseguir desenvolver um avião que conseguisse executar a tarefa de 4 modelos distintos, e isso exigiu que uma das versões do F-35 fosse capaz de decolagem e pouso vertical (VSTOL), e voar a velocidades supersônicas. De fato, o F-35 na versão B será o primeiro caça com características VSTOL, supersônico a entrar em serviço operacional. O protótipo X-35 atingiu a velocidade máxima de mach 1.4, porém, a versão de produção, que é mais leve e tem uma pequena mudança aerodinâmica, foi mais rápido nos testes atingido velocidade de mach 1.67. Seu desempenho em manobra, como capacidade de curva, rolamento, etc... ainda é uma informação classificada, no entanto os dados do fabricante e dos pilotos de provas que testaram o F-35 deixam visível que ele tem um desempenho que se situa entre o F-16C e o caça naval F/A-18C, sendo mais próximo do F/A-18 do que do F-16, porém num caça furtivo, com maior autonomia e com uma variante com capacidade VSTOL (decolagem curta e pouso vertical). Muitos países parceiros entraram no programa de desenvolvimento do F-35, e espera-se que ele seja muito exportado, se tornando o principal caça ocidental nas próximas décadas.
O motor usado no F-35, será um derivado do Pratt & Whitney F-119, usado no F-22, chamado de F-135 e que é, efetivamente, o mais potente motor já instalado em um avião de caça até este momento, proporcionando uma potência de 19100 kgf de empuxo com o pós-combustor ligado. Existe um motor alternativo para o F-35 chamado F-136 que está sendo desenvolvido pela Rolls-Royce/ General Electric e que fornece ainda mais potencia podendo chegar a um empuxo de 20000 kgf usando o pós-combustor.

Acima:O modelo F-35B é a versão de decolagem curta e pouso vertical do F-35. nele, o motor principal gira o bocal de escape a 90º para baixo, enquanto que um pequeno turbofan montado atrás da cabine faz a sustentação da frente da aeronave nas decolagens e pousos.
O armamento do F-35 pode ser transportado em dois compartimentos internos montados embaixo de cada entrada de ar do motor, além dos seis pontos fixos sob cada asa que explicarei mais adiante. As versões F-35A (decolagem convencional) e F-35C (versão operada em porta aviões) são capazes de transportar em cada um desses compartimentos internos uma bomba de 907 kg que pode ser da família JDAM ou a bomba planadora JSOW (450 kg), mais um míssil Raytheon AIM-120 Amraam de médio alcance guiado por radar ativo. Já na versão F-35B (de decolagem curta e pouso vertical), o compartimento interno é capaz de transportar uma bomba de 450 kg mais um míssil Raytheon AIM-120 Amraam cada. Ainda pode ser transportadas quatro bombas de 130 kg, GBU-39 SDB, guiadas por GPS, em cada compartimento, aumentando a capacidade contra alvos múltiplos, pois cada bomba SDB pode ser guiada de forma independente contra um alvo diferente. No F-35B, devido a seu menor compartimento, essa capacidade se reduz a três bombas GBU-39.

Acima: Neste desenho podemos ver a distribuição dos pontos de armamento do F-35A e C (na versão B, os cabides internos tem a capacidade reduzida). 
Externamente, há três pontos duros em cada asa sendo o mais externo (próximo a ponta da asa) para lançamento de mísseis de curto alcance como o AIM-9X Sidewinder. Essas cargas externas só são usadas quando não haver mais necessidade de usar a furtividade do avião, já que elas causam um grande aumento na reflexão do eco radar. O armamento transportado externamente é mais variado e é composto por bombas guiadas a laser Paveway de todos os modelos e tamanhos; bombas de fragmentação CBU-99 Rockeye II e CBU-105. Tanques de combustível externo também podem ser transportados nesses pontos sob as asas. Os novos mísseis anti-tanque Brimstone da Inglaterra, e o novo míssil ar superfície da Lockheed Martin, o JAGM (Joint Air-to-Ground Missile), também fazem parte do arsenal do F-35.

Acima: Deste angulo pode-se ver perfeitamente o arranjo de armamento completo do F-35 com todos os pontos de carga ocupados, com  exceção dos pontos da ponta das asas, armados com mísseis AIM-9X Sidewinder, todos os outros estão equipados com bombas guiadas a laser GBU-12 paveway II.
Para combate ar ar, além dos mísseis Raytheon AIM-9X Sidewinder e do AIM-120 Amraam , do mesmo fabricante, o F-35 terá integrado o novo míssil de médio alcance MBDA Meteor e o míssil AIM-132 Asraam de curto alcance.
Um canhão interno General Dynamics GAU-22/A de 25 mm com 4 canos giratórios que fornecem uma cadencia de 4200 tiros por minuto esta instalado no F-35A, sendo, porém transportado externamente nas outras duas versões do F-35, caso haja necessidade.

Acima: O F-35C possui asas e tailerons (profundores) de dimensões aumentadas para atingir os requisitos de velocidade de aproximação estipulados pela marinha norte americana.
O programa F-35 tem apresentado problemas sérios em seu desenvolvimento, levando ao estouro do orçamento e revisão de limites estruturais e de desempenho para poderem serem enquadrados nos requisitos de seus principais clientes, USAF, USMC e US Navy, respectivamente. Por mais que o modelo seja projetado para multimissão, é evidente que seu maior talento é o ataque contra alvos de superfície fortemente defendidos, sendo que sua furtividade será seu maior trunfo quando a batalha for ar ar. Com o surgimento de caças de 5º geração russos e chineses, a capacidade de sobrevivência do F-35 poderá ser contestada, exigindo que o caça seja escoltado por aeronaves de melhor desempenho como o F-22 Raptor.

Abaixo: Podemos ver aqui as 3 versões do F-35 e observar as discretas diferenças entre cada modelo.


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