domingo, 15 de abril de 2018

Cabo da Infantaria - Alemanha



Segunda Guerra Mundial
Atuação: Front russo - 1941

A ilustração retrata um cabo da infantaria do Exército alemão durante os primeiros estágios da "Operação Barbarossa", a campanha de invasão da Rússia, a qual iniciou em 22 de junho de 1941.Naqueles dias seu uniforme era basicamente o mesmo usado pelos soldados alemães do início da Segunda Guerra, porém medidas de economia estavam começando a afetar a qualidade do vestuário das unidades da linha de frente. A mudança mais significativa no uniforme do Exército começou com a retirada das tradicionais insígnias verde-escuro do colarinho e das mangas do blusão, e das cintas dos ombros. Em seu lugar foi utilizado um tecido em tom de cinza-escuro que rapidamente tomaria o uniforme inteiro. Adicionalmente, uma linha na cor conhecida como "cinza-rato", substituiria as linhas brancas ou prata utilizadas na confecção das insígnias das unidades e nos emblemas das patentes. A qualidade do tecido usado na fabricação dos uniformes também havia piorado, que resultava em roupas que não ofereciam proteção adequada às extremas temperaturas negativas da Europa Oriental, embora a Alemanha nazista possuísse uma impressionante máquina de guerra, produzindo massiva e incessantemente todo tipo de material bélico.
No Exército alemão os oficiais não comissionados (NCO) usavam o uniforme padrão dos soldados (uma prática que diferia da maioria dos outros exércitos europeus, cujos NCO vestiam uniformes de oficiais), mas com uma pequena tira prata no colarinho da túnica e nas cintas dos ombros, com o emblema designando sua patente na parte superior da manga esquerda. Neste caso, o cabo se utiliza de tufos de palha presos ao capacete por uma tira de borracha para melhorar sua camuflagem no campo de batalha. Os homens que lutaram na Frente Oriental, além de serem obrigados a conviver com um clima extremamente rigoroso, que no inverno pode apresentar temperaturas de até -40°C, sofriam com a falta de suprimentos adequados, como roupas de inverno para mais da metade das tropas, correntes para as rodas dos veículos e escassez de rações e combustível. Sua arma principal é uma submetralhadora Bergmann MP-34, enquanto seu armamento secundário consiste de uma pistola automática Luger de 9 mm, encaixada em sua bota esquerda. Em seu cinturão pode-se observar uma baioneta e uma pequena pá para cavar trincheiras.
As forças alemãs alcançaram quase que total surpresa em sua invasão do território soviético em 22 de junho de 1941, na "Operação Barbarossa", a maior operação militar de todos os tempos, a qual foi precedida por um devastador ataque aéreo promovido pela Luftwaffe, que praticamente deixou inoperante a força aérea Vermelha. Para levá-la adiante, a Alemanha contava com 140 Divisões, com cerca de 3.000.000 de homens e mais de 2.700 aeronaves e 3.000 tanques, e com a confiança em seu Exército (Wehrmacht) que até então tinha obtido espetaculares vitórias em todas as campanhas em que havia se engajado. O 4º Grupo Panzer, reunindo diversas forças blindadas, em rápido avanço conquistou uma série de objetivos a nordeste, chegando próximo à Luga por volta de 14 de julho. O Grupo de Exércitos do Centro cercou as tropas soviéticas em Bialystok e Gorodische, fazendo 300.000 prisioneiros e capturando cerca de 2.500 tanques em uma semana de operações. O Grupo de Exércitos do Sul enfrentou uma grande resistência na Ucrânia, onde o 5º Exército Russo contra-atacou em 10 de julho para tentar impedir um ataque direto sobre a estratégica cidade de Kiev. Este desdobramento fez com que Hitler desviasse as forças do Grupo de Exércitos do Centro de seu ataque a capital Moscou para reforçar a ofensiva ucraniana.
O 2º Exército e o 2º Grupo Panzer, sob o comando do general Heinz Guderian, receberam ordens de se dirigir para o sul, destruir o 5º Exército soviético e subjulgar Kiev. Guderian era radicalmente contrário à idéia de se abandonar a ofensiva a Moscou , mas como todo bom soldado obedeceu ao que lhe fora ordenado e desviou suas tropas para o sul em 23 de agosto (mais tarde a História lhe daria razão, já que este fato mudou os rumos da campanha na Rússia, dando aos soviéticos tempo suficiente para recompor suas forças, produzir armamentos em quantidades suficientes e organizar melhor a defesa da capital do país). Uma infrutífera contra-ofensiva russa para deter o avanço alemão ao norte de Gomel, provocou pesadas perdas para o Exército Vermelho no front sudoeste nas diversas batalhas em que se viu envolvido. Muitas Divisões foram confinadas em bolsões e destruídas pouco a pouco, enquanto que somente em Kiev mais de meio milhão de soldados russos foram capturados. Em meados de novembro os alemães haviam capturado Rostov e o estreito de Perekop, o qual era a porta de entrada para a região da Criméia. Na região central da Rússia, as vitórias alemães em Smolensk e Bryansk abriram caminho para a captura de Orel, Tula e Vyazma. Os Estados Bálticos já haviam sido ocupados pelas forças invasoras e a aliança com os finlandeses ajudou a abrir caminho para a cobiçada cidade de Leningrado. Esta cidade sofreria um dos maiores horrores de toda a Segunda Guerra, tendo sido cercada pelos alemães por 900 dias, com praticamente todas as linhas de suprimentos para a população cortadas, mas que também demonstraria ao mundo a capacidade de resistência do povo russo, num dos momentos épicos daquele conflito.

Soldado da Legião Árabe



Atuação: Jordânia - 1953

Chamada oficialmente Al Jaysh al Arabi (Exército árabe) e mais conhecida como Legião Árabe essa força, criada em 1920 pelo capitão inglês F.G.Peake com o objetivo de manter a segurança interna no território leste da Palestina, era composta no início por cinco oficiais, 75 carabineiros montados e 25 atiradores de metralhadoras. Um ano mais tarde, Peake recebeu ordens de ampliá-la para cerca de 750 homens, organizados em companhias de infantaria, cavalaria e artilharia. Sob o comando dos britânicos, a Legião Árabe continuou a se expandir e em 1931 o major J.B.Glubb formou uma nova unidade, a Patrulha do Deserto, montada em camelos e destinada a acabar com os saques promovidos pelas tribos nômades.
Durante a Segunda Guerra Mundial, ante a ameaça crescente da influência alemã na Síria e no Iraque foi constituído o Regimento Mecanizado, tendo a Legião participado de campanhas nestes dois países. Por permanecer sob a tutela britânica, sua aparência era de uma tropa típica do exército de Sua Majestade, apesar de ser uma corporação de soldados do Oriente Médio: uniformes, equipamentos, armas, tipo de tática e treinamento empregados, tudo tinha origem inglesa.
O verdadeiro teste à capacidade da Legião ocorreu em 1948, com a retirada dos britânicos da região e a criação do Estado de Israel. No dia 15 de maio a Legião Árabe atravessou o rio Jordão, protegendo as cidades de Nablus e Ramallah contra incursões israelenses. Quatro dias depois efetuou um ataque para defender a Cidade Velha de Jerusalém e após nove dias de intensos combates conseguiu ocupar a cidade, apesar da falta de reservas, munições e suprimentos. Em 1949, quando foi restaurada a paz, a Legião já ocupava toda a mergem esquerda do Jordão, que se integrou ao reino da Jordânia.
A guerra Árabe-Israelense de 1948 levou a uma rápida expansão da Legião que chegou a um efetivo de 10.000 homens, em 1956 já eram 25.000, em dez batalhões de infantaria, apoiados por carros de combate, veículos blindados e obuseiros. O fortalecimento do nacionalismo árabe aumentou a oposição aos elementos britânicos integrados à Legião, reforçado pela participação da Grã-Bretanha na crise do canal de Suez em 1956, pressionando o rei Hussein a substituir todos os oficiais ingleses por jordanianos e a partir dessa época a Legião teve seu nome mudado para Exército Árabe da Jordânia.
Com a exceção óbvia do fez e do turbante, todo o uniforme deste soldado jordaniano é de origem britânica. Trata-se de um traje de combate com cinturão-bandoleira, modelo 1937. O posto de sargento evidencia-se pelas três divisas no braço direito; o 9º Regimento, do qual faz parte, é indicado pelas cores vermelho-verde-vermelho na faixa do ombro e pelo cordão de disparo, também nas cores regimentais. No turbante prende-se o distintivo de prata da Legião Árabe. A arma padrão dos legionários era o fuzil n° 4 britânico, calibre .303 (7.62 mm), mas os oficiais não comissionados portavam submetralhadoras Sten MkV, de 9 mm.

Soldado do Exército turco


Atuação: Chipre, 1974

No dia 20 de julho de 1974, o Exército turco, apoiado por unidades navais, invadiu o norte da ilha de Chipre. Com a intervenção armada, Ancara respondia ao golpe pró-Grécia ocorrido em Nicósia, a capital, cinco dias antes, que não só ameaçava a população de origem turca como possibilitaria transformar a ilha em uma base militar grega a apenas 64 km da costa da Turquia. Assim que os paraquedistas saltaram sobre o vilarejo de Gönyeli e comandos navais estabeleceram cabeças-de-praia a oeste de Cirena, as chances de sucesso rápido pareceram claras. Mas esta campanha não foi fácil para os invasores. Houve forte resistência dos cipriotas, impedindo a expansão a partir da praia e mantendo a estrada para a capital bloqueada.
Porém, sem apoio da Grécia e com poucas armas, não suportaram o peso das forças invasoras, que mesmo contando com cerca de 40.000 soldados e duzentos tanques, conseguiu apenas o controle de 40% do território. O cessar-fogo veio em 22 de julho, graças a pressões internacionais. Para manter a ocupação, os turcos deixaram 17.000 homens e 100 blindados em Chipre, abalando suas relações com a OTAN e particularmente com os Estados Unidos. Essa é a clássica situação em que a opção militar falha em obter os efeitos políticos desejados.
O Exército da Turquia tem poderio considerável: cerca de 470.000 homens organizados em quatro exércitos, com forte apoio de unidades especializadas e formidavél força de blindados, artilharia e mísseis superfície-superfície (SSM). Esses números impressionantes escondem algumas fraquezas, evidenciadas na campanha de 1974. Dependendo basicamente de recrutamento, o Exército é orientado para a infantaria, e seus soldados, treinados em vinte meses, não estão preparados para a guerra moderna e seus oficiais têm a tradição de se envolver em golpes políticos, como os ocorridos em 1960 e 1980. Membro da OTAN, suas forças são reponsáveis pela defesa da área leste do Mediterrâneo.
Além de proteger o estratégico estreito de Bósforo, a Turquia contribui com contigentes e cedeu seu território para bases militares da aliança ocidental. Inimigo histórico da Grécia (também membro da OTAN), ambos os países investem maciçamente em equipamentos militares, buscando um equilíbrio de forças que possa desestimular uma agressão mútua. Em 1980, a Turquia assinou com os EUA um acordo de utilização de suas bases militares em troca de ajuda militar e econômica, que atualmente estão sendo usadas pelos americanos em sua segunda investida contra Saddam Hussein, na Operação Libertação do Iraque, iniciada em 19 de março de 2003.
Trajando uniforme leve, próprio para o verão do Mediterrâneo, o soldado carrega um capacete americano M1 com cobertura camuflada, dos marines. A maioria dos equipamentos do Exército turco é de origem americana, como o cinturão M1943; as bolsas de munição, porém, são fabricadas no país. Apesar de seu bom desempenho como integrante de forças internacionais da ONU, a invasão de Chipre deixou a desejar, em parte explicável pelo armamento obsoleto que utilizou, como essa submetralhadora .45 M3A1, equipada com um abafador noturno de chamas na extrmidade do cano.

Soldado do Exército sul-vietnamita


Atuação: Vietnã - 1970

Formado depois do Acordo de Genebra de 1954, o Exército sul-vietnamita sem tradição ou experiência militar, passou a enfrentar os vietcongues, guerrilheiros comunistas do Norte. Com a intensificação dos combates entre o Norte e o Sul, durante os primeiros anos da década de 60, aumentou também a preocupação dos Estados Unidos com a sobrevivência de seu aliado, enviando para o Vietnã do Sul cada vez mais equipamentos e assessores militares.

Este auxílio permitiu uma rápida expansão do Exército do Vietnã do Sul, de 220.000 em 1964 para 416.000 homens em 1968, organizado em dez divisões de infantaria, além de diversas unidades de apoio ao combate. Após a ofensiva do Tet de 1968, o Exército local assumiu um papel de maior destaque na linha de frente, e à medida que as tropas americanas começaram a se retirar, foi promovido um programa de modernização.

Por volta de 1970 a maioria das unidades estava equipada com fuzis M-16, lança-granadas M-79 e metralhadoras M-60. Mas apesar de todo esse apoio o Exército sul-vietnamita foi incapaz de preencher o vazio deixado pelos americanos, sucumbindo às forças comunistas em 1975. Embora seu padrão médio fosse baixo, algumas unidades eram da mais alta qualidade, capazes de enfrentar eficientes formações norte-vietnamitas sem apoio estrangeiro. Os batalhões Ranger, a Divisão Aérea e os Fuzileiros Navais eram muito respeitados, e a 1a.Divisão de Infantaria se comparava às unidades aeromóveis dos EUA.

O comandante de patrulha sul-vietnamita está inteiramente equipado com material de procedência americana. A roupa de camuflagem de duas peças é do tipo "listas de tigre", usada pelas Forças Especiais dos EUA. O colete é de malha de náilon e tem bolsos múltiplos. O sistema de graduação é tipicamente sul-vietnamita e é representado por duas flores douradas de ameixeira aplicadas no chapéu, revelando o grau de primeiro-tenente. Bem armado, este oficial porta um rifle de assalto M16A1 de 5.56 mm, com duas granadas de fragmentação e uma pistola no cinturão de malha.

Soldado de Infantaria - Coréia do Sul



Atuação: Fronteiras - anos 90

O Exército da Coréia do Sul vem se tornando uma das mais modernas forças de combate do mundo, investindo pesadamente em equipamentos avançados e treinamento de suas tropas, devido à tensão permanente na fronteira com seu vizinho comunista do Norte. A maior parte de seus gastos militares se destina à aquisição de armas fabricadas nos Estados Unidos, que desde 1953 mantem forte presença militar no país asiático, com cerca de 30.000 efetivos estacionados lá atualmente. O soldado ao lado demonstra bem esta estreita ligação. O uniforme, embora confeccionado localmente, tem seu padrão de camuflagem diretamente inspirado no modelo M81 Woodland americano. As mudanças climáticas na Coréia são muito severas, por isso no verão os soldados geralmente vestem um uniforme confeccionado em denim e no inverno se utilizam de um feito em algodão, enquanto as tropas expostas à regiões nevadas fazem uso de um uniforme acolchoado e de óculos escuros para protegê-los da cegueira da neve. Seu capacete de kevlar é o US PASGT (Personal Armour System, Ground Troops), popularmente conhecido como "Fritz" por sua semelhança com os capacetes utilizados pelas tropas alemães ao longo da Segunda Guerra Mundial. O cinturão tático é do modelo US A.L.I.C.E. (All-Purpose Lightweight Individual Carrying Equipment), idealizado para diminuir a carga do infante, composto basicamente de um cantil, uma ferramenta para cavar trincheiras, kit de primeiros-socorros e cartuchos extras de munição para o armamento pessoal. Seu fuzil é o tradicional M16A2, calibre 5.56 mm.
A divisão do país entre a Coréia do Sul e a Coréia do Norte foi o resultado da vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial em 1945, encerrando um período de 35 anos que a Coréia esteve sob o domínio do Império do Japão. Os Estados Unidos e a União Soviética ocuparam o país, com o limite entre suas zonas de controle ao longo do paralelo 38. Com o início da Guerra Fria, as negociações entre estes não conduziram a uma Coréia independente e unificada. Em 1948, as eleições supervisionadas pela ONU foram realizadas apenas no sul ocupado pelos EUA. Isso levou ao estabelecimento da República da Coréia na Coréia do Sul, que foi prontamente seguido pelo estabelecimento da República Popular Democrática da Coréia na Coréia do Norte. Os Estados Unidos apoiaram o Sul, a União Soviética apoiou o Norte e cada governo reivindicou soberania sobre toda a península coreana. A subsequente Guerra da Coréia, que durou de 1950 a 1953, acabou com um impasse e deixou as duas dinastias coreanas separadas pela zona desmilitarizada (DMZ - Demilitarized Zone) até hoje. É a fronteira mais militarizada do mundo. Em 1970 foram descobertos três túneis que se usavam para espionagem e vinte anos depois encontrou-se um outro, todos construídos por militares da Coréia do Norte. Toda a zona está permanentemente iluminada, exceto na área da ferrovia de Kaesong e Kosong (ambas na parte norte-coreana), Munson e Sokcho (no lado sul-coreano). No meio da Zona Desmilitarizada fica a localidade de Panmunjon, onde se estabeleceu o armistício da Guerra da Coréia. Em 1972 a fronteira foi reforçada com arame farpado, postos de vigilância e grandes holofotes que permitem iluminar toda a região.
Os soldados do Exército sul-coreano, apoiados pelas tropas americanas estacionadas no país, devem estar em permanente estado de alerta, principalmente junto à DMZ no paralelo 38, fronteira que divide os dois países. A Coréia do Norte sempre treinou tropas especializadas em fazer infiltrações furtivas no vizinho ao sul, através dos túneis secretos ou por via marítima, com o intuito de colher informações de Inteligência, praticar atos de sabotagem ou para simplesmente tentar constranger o inimigo com estas invasões em seu território. Com a ascensão ao poder em 1994 de Kim Jong-il, que sucedeu a seu pai Kim il-sung que governou o país com "mão de ferro" por 46 anos, a situação geopolítica chegou a uma situação crítica nos últimos anos, com o desenvolvimento de mísseis intercontinentais de longo alcance (ICBM), que efetivos ou não, ameaçam o equilíbrio de forças na região. A Coréia do Norte dirige seu ódio principalmente ao seu vizinho do sul, ao Japão e aos Estados Unidos, promovendo testes subterrâneos secretos de ogivas nucleares e testes de mísseis com alcances variados sobrevoando o Mar do Japão e mesmo os países limítrofes. Uma escalada de ações militares nesta região do planeta pode levar a um conflito envolvendo outras duas potências militares, pois a China veladamente apoia o regime de Kim Jong-il e os Estados Unidos que têm um compromisso de defesa com seu aliado a Coréia do Sul.

Soldado do Exército sul-africano


Atuação: Namíbia, anos 80

Após ter prestado sua contribuição para a causa aliada na Segunda Guerra Mundial, o Exército sul-africano permaneceu praticamente isolado de seus antigos parceiros ocidentais. A ameaça em potencial dos países negros vizinhos e de sua própria população, causada por uma política racista, levou à manutenção de um Exército forte.
Na década de 80 seu núcleo era constituído por uma força de cerca de 16.000 soldados profissionais, responsáveis por treinar até 50.000 recrutas brancos por um período de 24 meses, que em seguida são transferidos para a Reserva Ativa por doze anos. O Exército era organizado em uma brigada blindada com dois batalhões de carros de combate, dois batalhões de infantaria motomecanizada e uma brigada mecanizada, além de quatro brigadas motorizadas (cada uma formada por três batalhões de infantaria e um batalhão de carros blindados).
Contava com uma brigada de paraquedistas, um regimento especial de reconhecimento e um contingente de artilharia de campanha e antiaérea. Estas eram equipadas com 65 obuseiros e 40 canhões rebocados G-5 de 155 mm, além de vários obuseiros G-6 SP mais modernos. O elemento anticarro era fornecido por canhões de 90 mm e as armas de suporte de infantaria incluíam morteiros de 81 e 120 mm. O regimento antiaéreo empregava três baterias de mísseis Crotale e três de mísseis Tigre. A divisão blindada empregava 250 carros de combate Olifant, apoiados por 1.200 VCIM Rafel, 500 VBTT leves e 1.400 carros blindados Eland.
A indústria bélica sul-africana tem se desenvolvido bastante desde o embargo de armas decretado pela ONU em 1967, produzindo a maior parte dos equipamentos utilizados pelas Forças Armadas do país, como o fuzil G-4 de 5.56 mm, adaptado do Galil israelense, mísseis ar-ar, os canhões G-5/G-6 e o MBT Olifant (baseado no Centurion inglês modernizado). A África do Sul acredita firmemente na defesa avançada e em 1978-79 enviou grande número de soldados à Namíbia para suprimir o movimento guerrilheiro local e lançar ataques a Angola. Mesmo com o fim do apartheid (política racista), a instabilidade política de seus vizinhos e a defesa de suas riquezas minerais, é inevitável que os sul-africanos mantenham suas Forças em constante prontidão.

O soldado de infantaria usa uniforme e equipamento próprios dos combatentes em serviço na Namíbia. O uniforme de campanha é de tecido marrom leve, com chapéu tropical; o kit de cinturão e suspensório, de modelo sul-africano, com cantil, dois pares de bolsas para munição e bainha para a baioneta, tem cinto de malha separado para as calças. O fuzil é o popular FN FAL de 7.62 mm

Soldado sírio



Atuação: Guerra do Yom Kippur - 1973

Antes de outubro de 1973, era pobre a reputação do Exército sírio como força de combate. Suas fileiras estavam profundamente divididas por fatores étnicos e religiosos e apresentava um incrível recorde de fracassos militares, tendo sido arrasado pelas forças israelenses em 1948 e 1967. Mas há uma série de fatos, a partir de 1970, que fazem parte do jogo e não podem ser ignorados. Nesse ano, o general Hafez al-Assad, líder da Força Aérea síria, tomou o poder através de um golpe de Estado e passou os três anos seguintes gradualmente fortalecendo seu Exército.
Afastou oficiais promovidos por motivos políticos e os substituiu por homens com algum mérito militar, cujo profissionalismo os levara a ter melhores relações com os soldados, levantando o moral da tropa. Assad reequipou suas divisões com tanques pesados, transportes blindados, mísseis e artilharia de origem soviética, recebendo consultores russos para o treinamento de seus homens. Em 1973, aproveitando-se da complacência de Israel, que não via o Exército sírio como uma ameaça às suas posições nas colinas de Golan, a Síria preparou um ataque surpresa com o objetivo de recapturar aquela região, atravessar o rio Jordão e invadir o norte da Galiléia.
O ataque começou às 14h do dia 6 de outubro de 1973 (Guerra do Yom Kippur), com um avanço bifurcado que pegou os israelenses completamente desprevenidos. No setor norte de Golan, a 7ª Divisão de Infantaria, apoiada pela 3ª Divisão Blindada, dirigiu cerca de quinhentos tanques pesados (T-55 e T-62) contra posições inimigas, que contava com apenas cem tanques da 7ª Brigada Blindada. Mais ao sul, no principal eixo do combate, a 5ª e a 9ª Div.Infantaria, apoiadas pela 1ª e parte da 3ª Div.Blindada, empregaram seiscentos tanques contra os 57 blindados da Brigada 188 de Israel, que defendia a passagem de Rafid. O assalto foi conduzido no clássico estilo soviético, com o objetivo de obter sucesso por meio da superioridade numérica e da concentração do poder de fogo.
Porém a estreita frente de combate e o terreno montanhoso revelaram-se pouco indicados para maciças operações com blindados, forçando-os a se deslocar em trilhas fixas, onde podiam ser bloqueadas e atacadas pelos tanques israelenses, com tripulações melhor treinadas e com armamento superior. Apesar de ter abandonado mais de oitocentos carros de combate nas colinas de Golan, a maioria por falta de combustível ou peças sobressalentes, o Exército sírio, através de sua infantaria cobrou um alto preço aos israelenses pela retomada das elevações, em combates desgastantes e sangrentos, mostrando que era uma força com potencial crescente, que não mais deveria ser desconsiderada por seus opositores.
O uniforme deste soldado sugere que ele pertence a uma unidade de elite (as tropas regulares sírias usam uniforme verde-oliva ou cáqui-escuro), possivelmente de comandos ou paraquedistas. A farda parece basear-se no padrão francês, apesar de confeccionada na ex-Alemanha Oriental e como muitos itens do equipamento sírio foi também fornecida ao Exército de Libertação da Palestina. O capacete é de desenho soviético, assim como o fuzil AKMS, de 7.62 mm.