sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

CCL X1 Pioneiro e X1A1/A2 Carcará

História e Desenvolvimento. 

O carro de combate leve M3 Stuart surgiu no final da década de 1930 com uma solução para a substituição dos obsoletos tanques M1 e M2. Apesar de suas limitações frente aos carros de combates alemães, a família M3 Stuart/Honey foi empregada pelos aliados em todos os teatros de operações (sendo inclusive fornecido aos soviéticos), obtendo maior êxito no Pacifico, quando sobrepujaram os carros de combate japoneses. Em fins de 1943 as limitações originais do projeto em termos de blindagem e armamento levaram a sua substituição pelos novos, novos tanques leves M-24 Chaffe, sendo produzidas até junho do ano seguinte 22.744 unidades entre os modelos M3 e M5. Após o termino do conflito, os Stuart foram empregados em combate na Indochina, Guerra Civil Chinesa e Guiné, sendo também fornecidos a mais de 40 países alinhados a geopolítica americana. Sua facilidade de operação e manutenção iria motivar desenvolvimento de programas de modernização em algumas forças armadas.

Em fins da década de 1960, a frota brasileira de carros de combate leve M3/M3A1 Stuart apresentava itens críticos de disponibilidade, devido à falta de peças de reposição, principalmente dos dispendiosos motores a gasolina Continental. Resultados positivos obtidos pelo  Parque Regional de Motomecanização da Segunda Região Militar de São Paulo PqRMM/2 na modernização dos M8 Greyhound e M3 meia lagartas levaram o exército a criar um centro de estudos que resultaria no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB), que teria como missão o desenvolvimento de uma família de blindados leves, buscando aproveitar os componentes da residual frota de 300 carros de combate M3 Stuart, tendo como ponto de partida a troca do motor original por um nacional a diesel, testando três modelos da MWM, Deutz e Scania Vabis.
Foram desenvolvidos três protótipos que foram exaustivamente testados, a instalação dos novos motores demandou alterações na estrutura do veiculo que tiveram de ser alongados acomodar o novo grupo motriz, obrigando a troca da suspensão original do Stuart pela do trator de artilharia M4 de 18 toneladas que era maior e mais larga. Apesar do MWM apresentar a melhor opção por suas características de desempenho, a decisão final pendeu para o motor Scania devido a razões comerciais. Com a constatação da viabilidade de remotorização dos M3 e M3A1 Stuart, o no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB)iniciou a segunda fase do projeto, visando a transformação dos carros originais em uma nova plataforma de combate. Os trabalhos foram iniciados em 28 de junho de 1973 com a autorização da Diretoria de Pesquisas e Ensino Técnico e apoio da Diretoria de Motomecanização.

O plano previa a utilização da carcaça original e  chassis, sem fazer uso da torre e do canhão, instalação do motor a diesel nacional Scania l DS-11 6-cyl TD de 250 cv, com adaptações no carter e na turbina, com aproveitamento dos sistemas originais de transmissão e diferencial, troca de suspensão e lagartas mais largas. Em termos de armamento o projeto incluía um canhão de DEFA D-921 90mm a exemplo da solução oferecida pela Engesa nas versões de exportação do EE-9, sendo este equipamento instalado em uma nova torre a francesa H-90 da Hispano Suiza pertencente a este mesmo kit. Estas alterações resultariam em um novo carro de combate, solucionando assim grande parte dos problemas com suprimentos e manutenção que afligiam os M3 e M3A1 Stuart. 
O primeiro protótipo após superada todas a dificuldades técnicas de concepção, foi construído e entregue em setembro de 1973, e foi testado exaustivamente na Biselli sobre a supervisão do PqRMM/2, e estava equipado com o canhão francês 62 F1 de 90mm e inicialmente com uma torre produzida pela Engesa que seria depois substituída por uma produzida pela Bernardini com melhor blindagem. A primeira aparição publica do carro foi no desfile de 7 de setembro de 1973. Com a aprovação formal do projeto as empresas Biselli e Bernardini foram contratadas para a produção em série do agora designado Viatura Blindada de Combate, Carro de Combate MB-1, recebendo o apelido de Pioneiro. 

Emprego no Brasil. 

O contrato previa a entrega inicial de 53 carros de combate podendo chegar até 113 unidades, porém o programa enfrentou contratempos como a restrição de importação de alguns componentes, problemas de gestão de processos por parte da Bernardini e desvio de recurso que provocaram um atraso de 27 meses com as primeiras unidades foram recebidos somente entre fevereiro e março de 1976 com 10 carros incorporados ao 6º Regimento de Carros de Combate (RCB) e também ao 6º RCB . O último lote composto por 16 veículos foi entregue também ao 6º RCB em abril de 1979, com uma unidade sendo destinada a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e outro para a Escola de Material Bélico (EsMB), neste período sua designação oficial passou a ser CCL-MB-1 Pioneiro X1.

Em uso nestas unidades os X1 foram bastantes utilizados, pois com sua manutenção simples não apresentavam problemas técnicos de difícil solução, a não ser os transtornos causados pela ausência de materiais técnicos que deveriam ser elaborados pelo fabricante, o que prejudicava a manutenção preventiva No entanto alguns problemas crônicos de projeto assolariam a operação do modelo como a embreagem deficiente por conter apenas um disco, e a constante quebra de molas volutas (originarias dos tratores M4 e semelhantes nacionais) e trincamento do garfo da polia tensora em função do peso elevado da roda tensora que solicitava exageradamente o garfo no deslocamento do veículo em alta velocidade sobre um terreno difícil . Apesar destas dificuldades o uso continua recomendava a conversão de mais unidades dos M3 e M3A1, pois o X1 tinha uma excelente relação de custo beneficio em atividades de treinamento, poupando assim custos e desgastes na frota de carros M-41.
Os problemas aferidos com os CCL X1 levaram a necessidade de implementação de correções e melhorias no projeto original, e com base nos relatos de operação e ocorrências a equipe do IPD/CPDB, juntamente com a Bernardini, criou o X1A1 ou Viatura Blindada de Combate, Carro de Combate MB-1A. A principal alteração visava resolver o problema de trincamento do garfo, a solução partiu com a adoção de mais um bogie e a substituição da polia tensora do trator M4 pela do M4 Sherman. O chassi foi alongado em 80 cm melhorando sua capacidade de transpor trincheiras, sua transmissão foi substituída pelo do trator M4 devido ao aumento do peso. O chassi mais longo possibilitou a adoção de uma torre maior, que também foi alongada em sua parte traseira, alojando mais um radio e aumentando também o numero de munições transportadas. Apenas um protótipo foi construído e testes aferiram grande dificuldade no esterçamento, que era causada pela relação entre o comprimento da lagarta sobre o solo e a bitola do carro que excedia os limites de projeto de carros de combate. Dificuldades em se encontrar uma solução para este problema e a saída da Bisseli do programa levaram ao encerramento do projeto.

O próximo estagio evolutivo previa o desenvolvimento de um veículo leve de combate denominado X15 que deveria em sua concepção abandonar o aproveitamento das carcaças e peças do Stuart. Porém decisões de cunho econômico levaram o projeto a ser menos ousado mantendo ainda o uso de componentes dos M3 e M3A1. Nascia assim o X1A2 que manteve o nome de Carcará, podendo ser considerado o primeiro carro-de-combate sobre lagartas brasileiro. Sua carcaça foi totalmente reformulada, inclusive retirando-se o espaço para o auxiliar do motorista, permitindo assim uma blindagem frontal com características balísticas muito superior às do X-1 e do X1-A1, além de lhe dar um desenho mais moderno. Passou a contar com uma caixa de transmissão Allison CD-500 Cross-Drive, novo canhão nacional de EC 90 mm, sistema de giro da torre ser hidráulico. Além destas melhorias o modelo passou a apresentar um maior índice de nacionalização de componentes.  
Após a avaliação do primeiro protótipo foi decidido pela produção inicial de 24 unidades, com o primeiro lote de 10 carros sendo entregue ao 6º RCB em 1981 e as unidades restantes apresentavam algumas diferenças de projeto e receberam a designação VBC CC MB-2A Lag, e curiosamente estes carros não foram colocados em serviço sendo apenas armazenados nesta unidade. Em operação verificou um vazamento crônico do selo mecânico do conversor de torque original do trator M4 e também alto índice de falhas e quebras no sistema de manches de direção. No entanto o contrato para a modernização da frota de carros de combate médios M-41 Walker Buldog, direcionaria todos os recursos para este programa, encerrando assim a produção do X1A2. O 6º RCB manterias os últimos X1 Pioneiro e X1A2 Carcará em operação até julho de 1994 quando foram substituídos pelos novos M41C Caxias.

M-108AR Howitzer

História e Desenvolvimento. 

Testemunhando os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, os observadores do Exército dos Estados Unidos perceberam que precisariam de um veículo de artilharia autopropulsionado com poder de fogo suficiente para suportar operações blindada. As lições aprendidas com os carros meia lagarta como o T19 Howitzer Motor Carriage ou o 105mm montando no chassi dos M3 Half Track, mostraram a viabilidade de se construir um veículo totalmente blindado sob esteiras para ser o novo obuseiro autopropulsionado do exército o T32, usando como base o chassi do tanque médio M3 Lee. A estes se seguiram outros modelos entre eles o M7 Priest que obteve o maior êxito, tendo sido produzidos 4.315 unidades, que foram empregados pelos aliados em todas as frentes de batalha da Segunda Guerra Mundial. 

Os M7 Priest retomaram a ativa na Guerra da Coreia, apesar desempenharam com êxito a maioria das missões, verificou se que a limitada elevação de 35 graus do canhão dificultava capacidade de disparar sobre as altas montanhas coreanas. Estava claro que um novo obuseiro autopropulsionado deveria ser desenvolvido, desta maneira em 1953 comando do Exército Americano, emitiu requisitos para abertura de concorrência, visando o desenvolvimento de um novo veículo. Varias projetos foram apresentados entre eles o T195/195E-1 da General Motors Co, que após testes comparativos o definiram como vencedor da concorrência em setembro do mesmo ano. O primeiro mock up foi apresentado no início do ano de 1954, seguido pela construção de alguns protótipos para testes e avaliações. Foi finalmente validado para produção em série em fins de 1959, com as primeiras unidades sendo entregues ao Exército Americano em abril de 1960.
O M108 foi equipado com um motor Detroit Diesel turbocharged 8V-71T 8-cilindros com 405 hp, lhe proporcionando mobilidade adequada para acompanhar as demais unidades blindadas no campo de batalha, dispunha como arma principal do canhão M103 obus de 105 mm, capaz de disparar projeteis de 14,9kg em uma velocidade de 472 metros por segundo, com um alcance efetivo de 11,16 km, podia disparar todas as munições desenvolvidas no padrão Otan, entre elas, HE, WP e M-67 Head. Foi equipado com blindagem em alumínio, destinada a absorver pressões de impacto de projeteis de medido e pequeno calibre, porém não era dotado de proteção química, o que podia limitar em muito seu emprego nos campos da Europa no caso de confrontos com o Pacto de Varsóvia.

O batismo de fogo do M108 viria com o início da Guerra do Vietnã, quando o terceiro batalhão do 6th Field Artillery Regiment (Regimento de Artilharia de Campo) foi deslocado para cidade de Pleiku em 16 de junho de 1967, sendo seguido por um mais um batalhão de M108 agora do 40th Field Artillery Battalion alocado em Dong Haem em outubro do mesmo ano. Sua possibilidade de girar o canhão em 360 graus, ao contrario da artilharia rebocada o tornou ideal para segurar as posições de fogo, que podiam estar poderiam estar sujeitas a ataques de qualquer direção, porém um ponto negativo foi observado, seu canhão de 105 mm, não atendia as necessidades de cadencia de fogo e eficácia na destruição de alvos, este fato motivou a retirada de ambos os batalhões de artilharia de campo em meados de 1976, encerrando assim a participação do M108 neste conflito.
Como solução a dificuldade observada no Vietnã, previu-se a adoção de um novo canhão de 155 mm, esta decisão iria retirar de linha praticamente toda a frota de M-108 equipadas com canhão de 105 mm do exército americano, sendo parte deste total convertido ao novo padrão com um canhão de 155 mm nascendo assim o M109. Os carros não modernizados foram revisados e fornecidos a nações amigas como parte de acordos bilaterais de defesa, entre eles Bélgica, Brasil, Espanha, China, Turquia e Tunísia. A produção do M108 foi oficialmente encerrada em setembro de 1963, totalizando aproximadamente 950 veículos entregues.

Emprego no Brasil. 

O Acordo Militar Brasil - Estados Unidos, foi assinado em 15 de março de 1952 pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos, chefiados, respectivamente, por Getúlio Vargas e Harry Truman, tendo como com o objetivo de garantir a defesa do hemisfério ocidental face as ameaças representadas pelo bloco soviético. Com o título oficial de Acordo de Assistência Militar entre a República dos Estados Unidos do Brasil e os Estados Unidos da América, estabeleceu basicamente o fornecimento de material norte-americano para o Exército Brasileiro em troca de minerais estratégicos.

Uma década depois este acordo incluiria o Brasil nos termos do MAP Military Assistance Program (Programa de Assistência Militar) que visava dar continuidade ao processo de renovação das forças terrestres do Exército Brasileiro, neste âmbito ao longo dos anos muitos equipamento e veículos fornecidos, entre estes, 72 obuseiros autopropulsados M-108AR equipados com canhão de 105 mm que foram recebidos em 1972. A adoção deste modelo proporcionou uma grande evolução na doutrina operacional das unidades de artilharia, pois trata-se do primeiro veiculo do tipo a ser incorporado, trazendo uma inédita mobilidade ao apoio de fogo as unidades de campanha. Após sua chegada e adaptação os M108AR foram destinados a quatro novas unidades que passariam a ostentar a denominação de Grupamentos de Artilharia de Campanha Autopropulsados (GAC AP), 4 carros foram ainda alocados a duas unidades de ensino, para o treinamento e desenvolvimento de doutrina.
Os M108AR recebidos estavam em excelentes condições pois haviam sido recentemente desativados das Field Artillery Regiment do US Army, e muitos veículos apresentavam baixa quilometragem, porém em 1972 quando os carros chegaram ao pais sua produção já havia sido descontinuada há quase dez anos, gerando assim problemas no fluxo de peças de reposição, mais notadamente em seu motor Detroit Diesel 8V71T. Em 1977 este cenário se agravaria pois em 11 de março o presidente Ernesto Geisel através Decreto nº 79.376 promoveu o rompimento do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, levando a extinção total do fornecimento de peças de reposição, deixando grande parte da frota de M108AR indisponível.

Para manter a disponibilidade da frota em índices aceitáveis os M-108AR brasileiros foram submetidos no início da década de 1980, a um programa de modernização realizado pela empresa Motopeças, cuja principal alteração consistiu na remoção do motor de origem norte-americana, e sua substituição por um motor nacional fabricado pela Scania do modelo DS-14 com 385 cv. Esta mudança implicou em alterações que foram aplicadas no sistema de acionamento dos ventiladores de arrefecimento, que passou a ser feito por correias, no lugar do caro e complicado sistema de transmissão angular. Outros itens críticos foram também nacionalizados neste processo. Este programa trouxe aos M108AR um conjunto motriz de robustez superior ao original e uma maior vida útil, reduzindo muito os custos de manutenção e as frequentes paradas para reparo, prolongado a vida do veículo por mais de 40 anos.
Entre os anos de 1999 e 2001, o recebimento de novos obuseiros autopropulsados do modelo M-109, permitiu a desativação das unidades do M-108AR que se encontravam em estado de conservação mais crítico. Em 2013 foi celebrado um contrato via FMS (Foreign Military Sales), para a aquisição e modernização de veículos de M109A5, que passaram a ser entregues em 2016, iniciando assim o ciclo de desativação dos M108AR remanescentes. Porém o modelo pode ganhar uma sobrevida, pois o Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar desenvolveu um protótipo de uma Viatura Remuniciadora, com a finalidade de ampliar a capacidade de transporte e ressuprimento de grandes quantidades de munição para os Grupos ou Baterias de Tiro e de prover mobilidade tática e proteção blindada. Este protótipo encontra-se em testes e se validado deve gerar novas conversões a fim de serem distribuídas as unidades de artilharia autopropulsada.

M41 & M41A3 Walker Bulldog

História e Desenvolvimento.

Em 1946, o Exército dos Estados Unidos (US Army) abriu uma concorrência para o desenvolvimento de carro de combate leve com a finalidade de substituição o carro M24 Chaffee, este novo veiculo inicialmente designado como T37 deveria ser extremamente ágil para missões de reconhecimento em campo de batalha, sendo capaz ainda de enfrentar os tanques soviéticos T-34. Restrições orçamentários do período pós-guerra atrasaram a liberação de verbas para a construção dos protótipos das empresas concorrentes, sendo os mesmos construídos somente a partir de 1949. O projeto apresentado pela Cadilac Co. uma subsidiaria da General Motors foi selecionado para testes adicionais sendo definido como vencedor sendo designado como T41E1 em sua fase de pré-produção.

Os primeiros oito carros M41 denominados “Little Buldog“ começaram a ser entregues as unidades do US Army a partir de  julho de 1951. As pressões crescentes geradas pelo envolvimento americano na Guerra da Coreia aceleram a produção e em março de 1952, mais de 900 M41 já haviam sido fabricados, porém entraram em serviço ativo muito tarde para participar do conflito, neste período passou a ser chamado de Walker Buldog “, em homenagem a um general americano Wanton Walker. Ao todo foram entregues 1.802 carros, porém verificou se que a produção apressada deixou muitos problemas de configuração sendo necessário implementar cerca de 4.000 alterações e melhorias no projeto original, desta maneira nascia em dezembro de 1952 a versão M41A1, os carros da primeira versão foram armazenados no Ordnance Corps Depot em Ohio a fim de serem posteriormente convertidos na versão melhorada.
Em fins de 1953 o M41A1 e sua versão subsequente o M41A2 já haviam substituído completamente os M-24 Chaffe nas fileiras do Exército Americano, a versão A2 incorporava um sistema de acionamento hidráulico da torre ao invés de elétrica, permitindo aumentar a disponibilidade de munições de 76 mm no carro, passando de 57 para 65 tiros, outro passo importante foi a adoção dos motores a diesel Cummins VTA-903T que representavam um enorme avanço sobre os problemáticos e de alto consumo Continental AOS-895-3 gasolina refrigerado a ar de seis cilindros e 500 hp. Apesar das melhorias implementadas até pela versão final M41A3, o modelo não se mostrou popular no serviço junto aos tripulantes de tanques do Exército Americano, pois muitas vezes os condutores se queixaram do espaço interior limitado, além de criticarem a altura, tamanho e design que afetavam sua capacidade de reconhecimento discreto no campo de batalha.

O batismo de fogo do M41 aconteceu durante a operação de invasão a Baia dos Porcos, quando cinco tanques foram fornecidos pela CIA aos revolucionários visando assim fazer frente as bases estratégicas protegidas por tanques T-34/85, embates ocorreram até que os M41 ficaram sem munição sendo abandonados pelas tripulações. Em 1964 como parte do esforço de apoio e modernização as forças blindadas do Exército da República do Vietnã (ARVN), o Comando de Assistência Militar determinou o fornecimento de centenas de tanques M41A3s que passaram a ser envolver nas maiores operações de combate, ao contrário do ocorrido no US Army o modelo de tornou muito popular entre os tripulantes da ARVN que geralmente eram de menor estatura do que suas contrapartes americanas e não experimentaram o mesmo desconforto que operava dentro do espaço interior limitado do tanque. Os últimos Walker Bulldogs foram entregues para a ARVN em 1972, durante a queda de Saigon muitos dos M41 restantes foram abandonados por suas tripulações e capturados, sendo posteriormente incorporados ao exército do Vietnã.
Antes mesmo de seu batismo de fogo, o Walker Buldog foi classificado como inadequado pelo comando do US Army para o emprego em missões aerotransportadas devido ao seu peso pois apesar de ser classificado como carro de combate leve, apresentava o porte real de um carro médio, levando assim a criação do M551 Sheridan. Como carro médio verificou se também que o M41 não poderia fazer frente aos novos tanques soviéticos T-54, levando ao desenvolvimento de novos carros como o M47 Patton, determinando assim o encerramento da produção do Walker Buldog em 1954 totalizando 5.467 unidades produzidas. Além dos Estados Unidos centenas de M41 foram fornecidos ao Chile, Republica Dominicana, Guatemala, Uruguai, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Etiópia, Republica Federal da Alemanha, Grécia, Japão, Líbano, Nova Zelândia, Paquistão, Filipinas, Portugal, Somália, Arábia Saudita, Somália, África do Sul, Espanha, Sudão, Tailândia, Tunísia e Turquia.

Emprego no Brasil.

No final da década de 1950 o Ministério do Exército Brasileiro, resolveu iniciar um processo de modernização de seus meios blindados que até então estavam equipados com carros de combate recebidos durante a Segunda Guerra Mundial que já eram extremamente obsoletos. Este processo seria viabilizado alguns anos antes com a assinatura do Acordo Militar Brasil - Estados Unidos, que concedia prazos e custos viáveis para a aquisição de material militar. Desta maneira foram recebidos em agosto de 1960, 50 carros de combate M41 que foram distribuídos ao 1º e 2º Regimento de Reconhecimento Mecanizado baseados nas cidades de Porto e Alegre e Santo Angelo no Rio Grande do Sul onde passaram a substituir os antigos M3 M3A1 Stuart.Lotes subsequentes passaram a ser entregues totalizando mais 275 M41 modernizados ao padrão M41A1 e 55 da última versão de produção o M41A3.

A introdução do Walker Buldog proporcionou ao Exército Brasileiro reequipar suas unidades (blindadas e mecanizadas), reequilibrando a balança de poder terrestre na América do Sul, então fortemente inclinada para a Argentina. Esse carro de combate foi a base de toda a formação blindada no Brasil a partir da década de 1960. Na época, era o que o Exército Brasileiro tinha de melhor e me maior quantidade. Estavam presentes em grandes unidades como a 5º Brigada de Cavalaria Blindada, 1º, 2º, 3º, 4º e 5º Regimento de Carros de Combate e no 4º, 6º, 9º e 20º Regimento de Cavalaria Blindado com algumas unidades destinadas a Escola de Material Bélico (ESMB). Os Walker Buldog tiveram ainda destacada atuação na revolução de 1964 onde muitos carros foram empregadas na defesa de pontos estratégicos do governo.
Ao substituir nestas unidades os antigos M3 Sherman, M3 Lee e M3 Stuart, o M41 trouxe às tripulantes inovações tecnológicas de grande monta, como torres com sistema de acionamento hidráulico da torre, maior velocidade de deslocamento, sistemas de mira, seu canhão M32 de 76 mm também era superior aos canhões empregados nos tanques da década de 1940, a versão M41A3 estava equipada com um sistema de visão infravermelha, aparato até então inédito no pais, e apesar de estar presente em um pequeno número de carros possibilitou a imersão dos tripulantes em uma tecnologia de suporte a combate realmente nova.

Porém apesar de sua importância, os M41 e M41A3, infelizmente nunca receberam a manutenção correta, com peças originais. Muitos veículos acabaram danificados pela aplicação de componentes de baixa qualidade em áreas críticas, como retentores, mangueiras e linha hidráulicas, causando a médio e logo prazo desgastes e consequentes quebras de outros componentes vitais, afetando assim a disponibilidade da frota. Esta irresponsável decisão apenas economiza algumas centenas de dólares por veículo, colocando em risco um blindado que chegava a custar mais de meio milhão de dólares. No início da segunda metade da década de 1970, a frota de M-41 brasileira apresentava o desgaste dos anos de operação, sendo acometida por altos índices de indisponibilidade causada também por deficiências no suprimento de peças de reposição, mais notadamente as relacionadas ao grupo motriz movido a gasolina, sendo este fato agravado pelo rompimento do acordo militar Brasil – Estados Unidos.
No anseio de amenizar estes efeitos e também promover melhorias foram conduzidos estudos visando um programa de modernização, onde além da substituição do grupo motriz importado por um nacional, previa-se a alteração do armamento principal, incluindo se um canhão de 90 mm, estes estudos foram coordenados a partir de 1976  pelo Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar ( PqRMM/2), Centro de Tecnologia do Exército ( CTEx ), Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD) em conjunto a empresa Bernardini S/A. As primeiras unidades foram encaminhadas para a modernização a partir de 1978, encerrando assim o primeiro ciclo de vida deste modelo original no Brasil.

Ford M-8 Greyhound

História e Desenvolvimento. 

Em julho de 1941, o departamento de Defesa Americano, iniciou estudos para o desenvolvimento de um novo carro antitanque leve, que tinha por objetivo substituir os já obsoleto e não adequado GMC M-6 M6 Gun Motor Carriage, que nada mais era que um uma versão modificada do carro 4X4 WC-52, esta proposta tinha por objetivo criar um veiculo especifico para esta missão. Os parâmetros da concorrência definiam um veículo blindado leve sobre rodas com tração 6X, armado com um canhão de 37 mm em uma torre giratória  e duas metralhadoras .50 . Foram inicialmente consideradas para análise as propostas da Studebaker (designado T21), Ford (T22) e Chrysler(T23), sendo autorizados a construção de um protótipo de cada participante da concorrência a fim de serem submetidos a testes comparativos.

Os testes de campo apesar das deficiências e necessidades de aprimoramento, apontaram o modelo T-22 da Ford como o escolhido em abril de 1942, nesta fase já era clarificado o fato de que o canhão de 37 mm não seria eficaz contra as blindagens frontais e laterais dos novos carros de combate alemães, podendo ser uma presa fácil tendo em vista que a blindagem original do T-22 fora projetada para suportar impacto de armas leves. Mesmo com o advento deste cenário o Exército Americano necessitava emergencialmente de se reequipar e desta maneira o veiculo seria agora direcionado a missões de reconhecimento do campo de batalha, sendo designado como M-8, apesar desta definição as alterações necessárias no projeto e desing e problemas contratuais atrasariam o  início da produção em série até marco de 1943.
As primeiras unidades começaram a ser entregues para o Exército Americano, apesar de inicialmente rejeitados pelo exército inglês em detrimento a escolha do T17E1 Staghound, os M-8 passariam a equipar não só as forças britânicas onde seria denominado como Greyhound como também as francesas e brasileiras através dos acordos de Leand & Lease Act. Seu batismo de fogo ocorreu durante a invasão aliada da Sicília (Operação Husky), em missões de reconhecimento no campo de batalha, obtendo êxito principalmente por estar equipado com melhor sistema de rádio de longo alcance existente, praticamente o M-8 participaria em todas as batalhas na Europa, sofrendo no entanto com as minas terrestres alemãs levando a implantação de kits de blindagem extra no assoalho para melhor proteger os ocupantes, outro fato que iria limitar um pouco a sua atuação seria o terreno montanhoso, a lama profunda e a neve no inverno do norte europeu restringindo sua operação as estradas.
Já no teatro de operações do Pacifico os M-8 tiveram seu batismo de fogo durante a invasão de Okinawa e nas Filipinas, onde curiosamente foi empregado em seu papel original como carro antitanque, muito em função da leve blindagem da maioria dos tanques japoneses que era vulnerável ao canhão de 37 mm. Após o termino do conflito os Greyhound seriam ainda empregados na Guerra da Coreia, onde além das missões normais seriam utilizados pelo Corpo da Polícia Militar do US Army para tarefas de escolta de prisioneiros de guerra e defesa de bases militares. Após o ano de 1955 a maioria dos M8 e M20s restantes no serviço dos EUA foram alocados para um dos cinco regimentos de cavalaria blindados, com os veículos excedentes sendo vendidos ou doados a nações alinhadas a ideologia politica americana.
A França foi o maior operador de pós-guerra do M-8, tendo recebido centenas de unidade entre 1945 e 1954., que foram empregados na Primeira Guerra Indochina servindo até o termino do conflito sendo doados ao Exército da República do Vietnã, a Legião Estrangeira Francesa também os utilizou na Guerra da Argélia, no continente africano o Greyhound também atuou em combates pelo exército belga nas forças de defesa em apoio a Force Publique no Congo Belga, cerca de 55 países receberam o modelo e entre o final da década de 1960 varias empresas francesas e americanas produziram kits de modernização que foram fornecidos ao Chipre , Etiópia , El Salvador , Guatemala , Haiti , Jamaica , Marrocos , Venezuela e Zaire, com motores diesel e novas transmissões, a Colômbia optou por um processo caseiro melhorando não só as características mecânicas mas também instalando sistemas de misseis BGM-71 TOW. Atualmente existem algumas centenas de M-8 ainda em operação em exércitos na África e América do Sul.

Emprego no Brasil. 

Em 1942 o governo brasileiro se posicionou ao lado dos aliados no esforço de guerra, esta decisão permitiu a inclusão do pais as benesses do Leans & Lease Act com o fornecimento de armas, aeronaves e caminhões e carros de combate de primeira linha. Paralelamente a criação do Corpo Expedicionário que seria conhecida popularmente como Força Expedicionária Brasileira (FEB), geraria a necessidade de se compor o 1º Esquadrão de Reconhecimento da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária e dotar o mesmo com veículos de reconhecimento blindados para assim poder dar suporte ao avanço das tropas no teatro de operações italiano.

Foi determinado que 15 unidades do M-8 Greyhound seriam entregues a Força Expedicionária Brasileira no front italiano, sendo os motoristas e soldados destinados a operarem submetidos a um rápido treinamento de uma semana para adaptação. Os M8 da FEB entraram em combate pela primeira vez em 12 de setembro de 44 no avanço contra Vechiano onde o pelotão de blindados foi dividido em dois grupos. Um indo pelo eixo Manacuiccoli-Chiese-Massarosa enquanto que o segundo seguiria pelo eixo S.Pietro- S.Macário-Piano e S. Macário do Norte. Dando apoio a infantaria brasileira e tendo algumas escaramuças com as tropas alemãs, algumas destas armadas com armas antitanques. Porém, por incrível que possa parecer, ao longo da campanha italiana apenas um Greyhound brasileiro foi destruído por uma arma desse tipo. Os M8 foram de grande valia para as tropas brasileiras, lhes permitindo uma capacidade de deslocamento em batalha somada a capacidade ofensiva e defensiva, apesar de o veículo mostrar dificuldades em atuar no terreno acidentado da Itália.
Ao longo da campanha agora operando com 13 carros os M-8 estiveram presentes nas principais batalhas e momentosde gloria da FEB, como a Batalha de Montese e a rendição da 148ª Divisão Alemã bem como a dos remanescentes da Monte Rosa italiana. Após a rendição alemã, todo contingente da FEB foi desmobilizado e teve início seu repatriamento. Os M8 assim como os demais veículos, armas e equipamentos cedidos pelos americanos foram devolvidos pelas pracinhas em Roma. Mas os homens que conduziram os Greyhound da FEB não ficariam longe de seus veículos por muito tempo, já que após algum tempo, os americanos enviaram para o Brasil a maior parte do material utilizado pelas pracinhas deixadas na Itália. Incluindo todos os M8 remanescentes.

Posteriormente ainda dentro dos termos do Leans & Lease Act mais 20 carros seriam recebidos no Brasil., permitindo expandir seu leque operacional, sendo integrados as unidades de reconhecimento mecanizado. O Greyhound ainda serviria de base para estudos de uma versão lança foguetes através da instalação de uma torre lançadora desenvolvida pelo Arsenal de Guerra da Urca, operando em modo semelhante ao sistema russo Katiusha , com um exemplar sendo produzido pela Diretoria de Pesquisa e Ensino Técnico do Exército (DPET). Posteriormente uma segunda versão foi criada, mantendo se a torre original sem o canhão e mantelete e acoplando dois lançadores rotativos iguais para foguetes de 81 mm, os projeteis eram armazenados em compartimentos independentes. A solução chegou a ser testada, mas não entrou em produção, mesmo sendo um protótipo o veiculo foi apresentado oficialmente em 28 de junho de 1966, participando de diversos desfiles.
Em fins da década de 1960 a necessidade de se manter a frota de caminhões e carros de combate oriundas da Segunda Guerra Mundial na ativa iria motivar o desenvolvimento do Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2),em São Paulo de estudos práticos para a remotorização e retrofit dos M-8, efetuando substituições da caixa de câmbio, transmissão, freios, suspensão, parte elétrica e seu motor original a gasolina Hércules JDX, de seis cilindros e 110HP por um motor diesel Mercedes-Benz OM 321, de 120HP. O primeiro veiculo foi avaliado e aceito promovendo a modernização de 33 unidade remanescentes que foram entregues em 1972. Este esforço foi de supra importância pois qualificaria o corpo de engenharia do exército a criar o conceito de um veículo leve sobre rodas de combate 4X4 o VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira 1 , que evoluiria em um curto espaço de tempo para o VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2) que seria considerada a gênese da indústria de defesa nacional.

M-4 Sherman Early Fused Front

História e Desenvolvimento.


A segunda metade da década de 1930 presenciou um forte programa de rearmamento da Alemanha que era regida pelo partido nazista, este processo focava o desenvolvimento de novos conceitos e tecnologias em equipamentos e armas, e um dos pilares deste programa envolvia o desenvolvimento de carros de combate blindados, que se caracterizavam pela combinação de velocidade, mobilidade, blindagem, controle de tiro e poder de fogo, que eram superiores a maioria de seus pares disponíveis na época.
Atentos as possíveis ameaças futuras, o comando do Exército Americano iniciou em fins desta mesma década um programa de estudos visando o desenvolvimento de blindados que pudessem a rivalizar com os novos carros de combate alemães, pois naquele período a espinha dorsal de seus carros de combate era representada pelos tanques leves M-3 Stuart dotados de canhões de 37 mm. A premissa básica era criar um novo modelo que pudesse fazer uso de armas de 75 mm, nascendo assim em 1941 o primeiro protótipo do tanque médio M-3 que seria posteriormente batizado como Lee ou Grant, apesar de atender a demanda básica no porte do canhão de 75 mm, o blindado apresentava três pontos negativos graves, como perfil elevado, baixa relação de peso e potência e pequeno deslocamento lateral do canhão pois o mesmo estava instalado no chassi. Em função da emergencial necessidade de se suprir as forças britânicas com blindados, estas deficiências foram ignoradas e milhares de carros foram empregados na campanha do deserto africano nas primeiras fases da guerra
O desempenho observado em combate real, levou os americanos a repensar seu projeto e assim em outubro de 1941 o protótipo do novo carro denominado como Medium Tank M4 deixava a linha de produção. Basicamente este novo modelo herdava o mesmo chassi e a eficiente suspensão VVSS (Vertical Volute Spring Suspension) de seu antecessor e como novidade principal passa a contar com uma torre giratória com acionamento elétrico ou hidráulico, armada com um canhão de 75mm, sua motorização consistia de um motor radial Wright Continental R975, a gasolina, com peso bruto de 30 ton. O projeto com um todo era pautado pela simplicidade, visando assim facilitar a produção em massa (com uma previsão de entrega de 2.000 unidades mês) no intuito de suportar a crescente demanda dos aliados.

A primeira versão a entrar em produção foi o M4A1, em fevereiro de 1942, seu chassi era uma única peça fundida e composta por bordas arredondadas, estava equipado com um motor   Wright Continental R975 Whirlwind a gasolina. Este modelo foi seguido pelo M4A2 originalmente destinado ao Corpo de Fuzileiros Americano (USMC), pois estava dotado com o motor a diesel GM Twin 6-71 e empregava o mesmo combustível dos navios americanos facilitando assim a logística. A terceira versão M4A3 equipada com um motor a gasolina Ford GAA V-8 de 500 cv foi adotada pelo exército em virtude de sua maior potência. A versão original M-4 só estaria disponível em julho de 1942 e apesar de visualmente ser idêntico ao M4A1, deferia deste por não ter o chassi composto em uma peça só e sim por chapas retas soldadas, e as primeiras unidades produzidas apresentavam um sistema de blindagem frontal tripartida unida com parafusos como uma flange (herança direta do antigo M3 Lee).

Seu batismo de fogo ocorreu em 23 de outubro de 19421, quando o 8º Exército Americano iniciou sua segunda ofensiva na Batalha de El Alamein, na Tunísia no norte da África, em condições reais o M4 se mostrou muito superior ao M3 Lee/Grant, porém a falta de experiencia das tripulações americanas resultaram em pesadas perdas junto a 1º Divisão Blindada na batalha de Kasserine em fevereiro de 1943. Sua estreia no teatro de operações europeu ocorreu durante a operação Husky, a invasão da Sicília, quando foram empregados ao lado dos carros de combate leve M-3 Stuart. Durante o transcorrer da Segunda Guerra Mundial o modelo e suas variantes foram empregados em todos os teatros de operações, tendo destacado papel nas principais batalhas. Sua produção foi encerrada em 1945, sendo entregues 49.234 unidades, das quais 6.748 da versão M-4, sendo construídas pelas plantas da Baldwin Locomotiva Works, Pressed Steel Car Company, American Locomotive Co, Pullman-Standard Car Company e Detroit Tank Arsenal.
Os M-4 Sherman começaram a ser desativados no Exército Americano em 1957, sendo fornecidos aos milhares as nações aliadas durante o conflito nos termos do Leand & Lease Act e posteriormente via MAP (Military Assistance Program) na década de 1950 aos países alinhados aos Estados Unidos, totalizando 47 países que o empregaram até fins do século XX

Emprego no Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos bases aéreas e portos na região nordeste destinados ao envio de tropas, suprimentos e armas para os teatros de operações europeu e norte africano. Porém naquele período as forças armadas brasileiras ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial, e se fazia necessário proceder uma ampla modernização de seus meios e doutrinas, esta necessidade começaria a ser sanada com a adesão do Brasil  aos termos do Leand & Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Neste pacote estavam 53 unidades de carros de combate Sherman novos divididos entre as versões M4, M4 Composite Hull, que foram recebidos no porto do Rio de Janeiro a partir do primeiro semestre de 1945. A inclusão deste modelo no Exército Brasileiro veio a trazer avanços até então inéditos pois eram superiores aos M3 Stuart e M3 recebidos entre 1941 e 1945. Apesar de contarem com o mesmo canhão M3, de 75 mm dos Lee já em uso, os Sherman dispunham de um sistema de giro-estabilizador (somente no uso vertical), sendo um dos primeiros carros de combate a dispor deste dispositivo, de um sistema de partida elétrica, e juntamente um pacote de munições fornecidas estavam os tipos M61 Armour Piercing Capped - APC, M72 Armour Piercing (AP) e M-84 High Explosive (HE), com uma cadencia de disparo de 20 tiros por minuto, que traziam os Batalhões de Carros de Combate ao estado da arte na época.
Os carros das duas versões M4 e M4 Composite Hull foram inicialmente alocados junto ao 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC) que estava baseado no antigo Derby Club, na cidade do Rio de Janeiro, quando os tripulantes foram submetidos ao processo de treinamento e incorporação de equipamento. Os M-4 recebidos estavam divididos em duas subversões a primeira que é considerada como Early Production (ou primitiva) que como principal característica tinha a a blindagem frontal tripartida, e Early Fused Front que foi a mais produzida da série M4, que mantinha a blindagem fundida padrão de todas as versões do Sherman produzidos, estima-se que foram recebidas 28 unidades deste modelo em 1945.

Externamente o M4 possuía uma carroceria blindada formada por chapas soldadas e em ângulo reto, com uma blindagem inclinada em 60º, os veículos recebidos no primeiro lote estavam equipados com um morteiro lançador de projeteis fumígenos, curiosamente todos tinham a provisão para um lancha chamas MK1, porém não existem registros confiáveis que apontem o uso deste equipamento pelo Exército Brasileiro

Durante sua carreira os M4 Sherman foram operados também pela Escola de Motomecanização, 2º Batalhão de Carros de Combate, 6º Regimento de Cavalaria Blindada, 9º Regimento de Cavalaria Blindado e Academia Militar das Agulhas Negras. Apesar de algumas dificuldades técnicas enfrentadas na operação dos motores radiais Wright Continental R975 Whirlwind a gasolina, geradores auxiliares e caixas reguladoras devido a problemas no fluxo de peças de reposição, a frota de M4 brasileiros sempre apresentam bons indicies e disponibilidade sendo este patamar atingido graças a soluções “caseiras” das equipes de manutenção que empregaram desde componentes dos motores das aeronaves Stearman A-76 desativados da FAB até componentes canibalizados dos antigos M-3 Lee. 
Com o advento do recebimento dos carros de combate médios M-41 Walker Buldog a partir de meados da década de 1960, o Exército Brasileiro iniciou o processo de desativação dos M4 ainda operacionais, sendo os últimos retirados do serviço ativo somente em 1978. 

M-4 Sherman Early Production

História e Desenvolvimento.


A segunda metade da década de 1930 presenciou um forte programa de rearmamento da Alemanha que era regida pelo partido nazista, este processo focava o desenvolvimento de novos conceitos e tecnologias em equipamentos e armas, e um dos pilares deste programa envolvia o desenvolvimento de carros de combate blindados, que se caracterizavam pela combinação de velocidade, mobilidade, blindagem, controle de tiro e poder de fogo, que eram superiores a maioria de seus pares disponíveis na época.

Atentos as possíveis ameaças futuras, o comando do Exército Americano iniciou em fins desta mesma década um programa de estudos visando o desenvolvimento de blindados que pudessem a rivalizar com os novos carros de combate alemães, pois naquele período a espinha dorsal de seus carros de combate era representada pelos tanques leves M-3 Stuart dotados de canhões de 37 mm. A premissa básica era criar um novo modelo que pudesse fazer uso de armas de 75 mm, nascendo assim em 1941 o primeiro protótipo do tanque médio M-3 que seria posteriormente batizado como Lee ou Grant, apesar de atender a demanda básica no porte do canhão de 75 mm, o blindado apresentava três pontos negativos graves, como perfil elevado, baixa relação de peso e potência e pequeno deslocamento lateral do canhão pois o mesmo estava instalado no chassi. Em função da emergencial necessidade de se suprir as forças britânicas com blindados, estas deficiências foram ignoradas e milhares de carros foram empregados na campanha do deserto africano nas primeiras fases da guerra.
O desempenho observado em combate real, levou os americanos a repensar seu projeto e assim em outubro de 1941 o protótipo do novo carro denominado como Medium Tank M4 deixava a linha de produção. Basicamente este novo modelo herdava o mesmo chassi e a eficiente suspensão VVSS (Vertical Volute Spring Suspension) de seu antecessor e como novidade principal passa a contar com uma torre giratória com acionamento elétrico ou hidráulico, armada com um canhão de 75mm, sua motorização consistia de um motor radial Wright Continental R975, a gasolina, com peso bruto de 30 ton. O projeto com um todo era pautado pela simplicidade, visando assim facilitar a produção em massa (com uma previsão de entrega de 2.000 unidades mês) no intuito de suportar a crescente demanda dos aliados. 

A primeira versão a entrar em produção foi o M4A1, em fevereiro de 1942, seu chassi era uma única peça fundida e composta por bordas arredondadas, estava equipado com um motor   Wright Continental R975 Whirlwind a gasolina. Este modelo foi seguido pelo M4A2 originalmente destinado ao Corpo de Fuzileiros Americano (USMC), pois estava dotado com o motor a diesel GM Twin 6-71 e empregava o mesmo combustível dos navios americanos facilitando assim a logística. A terceira versão M4A3 equipada com um motor a gasolina Ford GAA V-8 de 500 cv foi adotada pelo exército em virtude de sua maior potência. A versão original M-4 só estaria disponível em julho de 1942 e apesar de visualmente ser idêntico ao M4A1, deferia deste por não ter o chassi composto em uma peça só e sim por chapas retas soldadas, e as primeiras unidades produzidas apresentavam um sistema de blindagem frontal tripartida unida com parafusos como uma flange (herança direta do antigo M3 Lee).

Seu batismo de fogo ocorreu em 23 de outubro de 19421, quando o 8º Exército Americano iniciou sua segunda ofensiva na Batalha de El Alamein, na Tunísia no norte da África, em condições reais o M4 se mostrou muito superior ao M3 Lee/Grant, porém a falta de experiencia das tripulações americanas resultaram em pesadas perdas junto a 1º Divisão Blindada na batalha de Kasserine em fevereiro de 1943. Sua estreia no teatro de operações europeu ocorreu durante a operação Husky, a invasão da Sicília, quando foram empregados ao lado dos carros de combate leve M-3 Stuart. Durante o transcorrer da Segunda Guerra Mundial o modelo e suas variantes foram empregados em todos os teatros de operações, tendo destacado papel nas principais batalhas. Sua produção foi encerrada em 1945, sendo entregues 49.234 unidades, das quais 6.748 da versão M-4, sendo construídas pelas plantas da Baldwin Locomotiva Works, Pressed Steel Car Company, American Locomotive Co, Pullman-Standard Car Company e Detroit Tank Arsenal.
Os M-4 Sherman começaram a ser desativados no Exército Americano em 1957, sendo fornecidos aos milhares as nações aliadas durante o conflito nos termos do Leand & Lease Act e posteriormente via MAP (Military Assistance Program) na década de 1950 aos países alinhados aos Estados Unidos, totalizando 47 países que o empregaram até fins do século XX.

Emprego no Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica tanto no fornecimento de matérias primas quanto no estabelecimento de pontos bases aéreas e portos na região nordeste destinados ao envio de tropas, suprimentos e armas para os teatros de operações europeu e norte africano. Porém naquele período as forças armadas brasileiras ainda signatárias da doutrina militar francesa estavam equipadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial, e se fazia necessário proceder uma ampla modernização de seus meios e doutrinas, esta necessidade começaria a ser sanada com a adesão do Brasil  aos termos do Leand & Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos), proporcionando ao pais acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Neste pacote estavam 53 unidades de carros de combate Sherman novos divididos entre as versões M4, M4 Composite Hull, que foram recebidos no porto do Rio de Janeiro a partir do primeiro semestre de 1945. A inclusão deste modelo no Exército Brasileiro veio a trazer avanços até então inéditos pois eram superiores aos M3 Stuart e M3 recebidos entre 1941 e 1945. Apesar de contarem com o mesmo canhão M3, de 75 mm dos Lee já em uso, os Sherman dispunham de um sistema de giro-estabilizador (somente no uso vertical), sendo um dos primeiros carros de combate a dispor deste dispositivo, de um sistema de partida elétrica, e juntamente um pacote de munições fornecidas estavam os tipos M61 Armour Piercing Capped - APC, M72 Armour Piercing (AP) e M-84 High Explosive (HE), com uma cadencia de disparo de 20 tiros por minuto, que traziam os Batalhões de Carros de Combate ao estado da arte na época.
Os carros das duas versões M4 e M4 Composite Hull foram inicialmente alocados junto ao 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC) que estava baseado no antigo Derby Club, na cidade do Rio de Janeiro, quando os tripulantes foram submetidos ao processo de treinamento e incorporação de equipamento. Do modelo M-4 estima-se que pelo menos dez veículos eram da versão primitiva (Early Production) que possuíam a blindagem frontal tripartida que era fixada no chassis com parafusos em uma flange, destes alguma estavam equipados com um morteiro de 2 polegadas acoplado na torre para o disparo de projeteis fumigemos e também estavam armados com uma submetralhadora Thompson M1928A1. Apesar desta estimativa existe a comprovação fotográfica de pelo menos 3 unidades os EB 11-341, 11-342 e 11-410 eram da versão Early Production.

Durante sua carreira os M4 Sherman foram operados também pela Escola de Motomecanização, 2º Batalhão de Carros de Combate, 6º Regimento de Cavalaria Blindada, 9º Regimento de Cavalaria Blindado e Academia Militar das Agulhas Negras. Apesar de algumas dificuldades técnicas enfrentadas na operação dos motores radiais Wright Continental R975 Whirlwind a gasolina, geradores auxiliares e caixas reguladoras devido a problemas no fluxo de peças de reposição, a frota de M4 brasileiros sempre apresentam bons indicies e disponibilidade sendo este patamar atingido graças a soluções “caseiras” das equipes de manutenção que empregaram desde componentes dos motores das aeronaves Stearman A-76 desativados da FAB até componentes canibalizados dos antigos M-3 Lee.
Com o advento do recebimento dos carros de combate médios M-41 Walker Buldog a partir de meados da década de 1960, o Exército Brasileiro iniciou o processo de desativação dos M4 ainda operacionais, sendo os últimos retirados do serviço ativo somente em 1978. Atualmente somente uma única unidade do modelo M-4 Early matriculado EB 11-341, que se destaca por ser o único Sherman nacional a ser dotado com blindagem adicional na torre, se mantem em condições de uso como veículo cerimonial batizado de Vovô, no 1º Regimento de Carros de Combate em Santa Maria – RS.

M3A3 e M3A5 Lee

História e Desenvolvimento.


A segunda metade da década de 1930 presenciou um forte programa de rearmamento da Alemanha que era regida pelo partido nazista, este processo focava o desenvolvimento de novos conceitos e tecnologias em equipamentos e armas, e um dos pilares deste programa envolvia o desenvolvimento de carros de combate blindados, que se caracterizavam pela combinação de velocidade, mobilidade, blindagem, controle de tiro e poder de fogo, que eram superiores a maioria de seus pares disponíveis na época. Atentos as possíveis ameaças futuras, o comando do Exército Americano iniciou em fins desta mesma década um programa de estudos visando o desenvolvimento de blindados que pudessem a rivalizar com os novos carros de combate alemães, pois naquele período a espinha dorsal de seus carros de combate era representada pelos tanques leves M-3 Stuart dotados de canhões de 37 mm. 

Durante a campanha da França os novos blindados alemães o sucesso observado dos novos carros de combate o Panzer III e Panzer IV, aumentaram o nível de preocupação de comando do Exército Americano, a solução ideal estava baseada no projeto do novo carro M4 Sherman, porém o mesmo ainda não estava disponível para produção em larga escala, a opção mais viável estava concretizada no tanque médio M3 que já se encontrava fase inicial de produção, logo após o primeiro ter sido submetido a exaustivos testes a partir de março de 1941, além do mais as linhas de produção da Baldwin Locomotiva Works já estavam ajustadas para a produção em larga escala deste modelo, sendo que as primeiras unidades começaria a ser entregues já no mês de julho.
O M3 possuía um desing incomum, pois a arma principal o canhão M2 de 75mm não estava instalado em uma torre giratória, e sim no chassi o que prejudicava em muito o deslocamento lateral da peça forçando o veículo a se movimentar para melhor o ângulo de tiro, o canhão de 37 mm que estava montado na torre principal era de pouca utilidade contra as blindagens alemães, acima desta torre estava instalada uma metralhadora Browning .50 para uso do comandante do carro. Além da problemática da movimentação do canhão o M3 ainda apresentava como pontos negativos o perfil elevado do chassi, baixa relação de peso e potência e sua armadura rebitada (cujos rebites apresentavam a tendência de ricochetear internamente quando da ocorrência de impactos externos). Em função da emergencial necessidade de se suprir as forças britânicas com blindados de médio porte, estas deficiências foram ignoradas e milhares de carros foram exportados para a Inglaterra.

O batismo de fogo dos M3 (que foram batizados pelos ingleses como Grant ou Lee) ocorreria em 27 de maio de 1942 contra as forças do general alemão Erwin Rommel na Batalha de Gazala, e representaram uma surpresa para as forças do Eixo que não esperavam a presença de carros inimigos equipados com canhões de 75mm, representando um novo desafio para os Panzer alemães e para os tanques italianos Fiat M13/40 e M14/41, mesmo assim a introdução do M3 não conseguiu vencer a batalha pelos britânicos e muitos deles foram destruídos pelos mortais canhões anti tanque de alta velocidade e 88 mm. Nos primeiros estágios da participação americana dos Estados Unidos na guerra os M3 foram muito empregados nas demais batalhas no norte da África e também no teatro de operações do pacifico até serem substituídos pelos novos modelos do M4 Sherman.

Após a Inglaterra o segundo maior usuário do M3 foi a União Soviética, que passou receber seus primeiros carros de combate nos termos do Leand & Lease Act a partir de 1941, com um contrato envolvendo 1.386 unidades, porém o Exército Vermelho receberia efetivamente 967 destes, pois o restante foi perdido durante o transporte mais notadamente em ataques alemães aos comboios americanos. A designação soviética oficial foi М3 средний (М3) ou "M3 Medium", para distinguir o Lee / Grant do M3 Stuart , construído nos EUA , que também foi adquirido pela URSS e conhecido oficialmente como М3 лёгкий ( М3л ). O modelo se mostrou muito impopular entre as tripulações de carros de combate, recebendo o apelido de Братская могила на шестерых, que pode ser traduzido como "Um túmulo comum para seis".
Apesar das falhas e má fama o M3 é notabilizado por ter introduzido a nova e eficiente suspensão VVSS (Vertical Volute Spring Suspension) que permitia o blindando melhor desempenho em terrenos acidentados e não favoráveis. Sua produção total atingiu a cifra de 6.258 unidades, distribuídas em 17 versões, sendo fabricado entre agosto de 1941 e dezembro 1942. Além dos Estados Unidos, Grã Bretanha e União Soviética, os M3 seriam empregados também pela Austrália, Índia, Canada, China e Filipinas. 

Emprego no Brasil.

Apesar das falhas e má fama o M3 é notabilizado por ter introduzido a nova e eficiente suspensão VVSS (Vertical Volute Spring Suspension) que permitia o blindando melhor desempenho em terrenos acidentados e não favoráveis. Sua produção total atingiu a cifra de 6.258 unidades, distribuídas em 17 versões, sendo fabricado entre agosto de 1941 e dezembro 1942. Além dos Estados Unidos, Grã Bretanha e União Soviética, os M3 seriam empregados também pela Austrália, Índia, Canada, China e Filipinas. 

Em termos de carros de combate a cessão americana se concretizaria inicialmente com a entrega de 104 tanques médios Lee nas versões M3A3 e M3A5 (iguais aos fornecidos para os ingleses e russos, que os empregavam em diversas frentes de batalha contra os alemães e italianos), sendo ambos armados com canhões de 75mm e 37mm além de metralhadoras. Sua Guarnição era composta de seis homens e atingiam uma velocidade máxima de 40km/h. Os primeiros cinco M3 foram recebidos no Rio de Janeiro em 1942 e os últimos em meados do ano seguinte. A diferença básica entre estes dois modelos estava baseada no acabamento do casco, sendo o primeiro modelo totalmente soldado e o segundado rebitado.
A introdução dos carros de combate médio M3A3 e M3A5 nas fileiras do Exército Brasileiro viria a provocar a geração de um novo ciclo operacional que abandonava a doutrina francesa oriunda da Primeira Guerra Mundial e também substituiria seus meios, sendo que até então o sustentáculo da força mecanizada de blindados no Brasil era composto pelos carros leves italianos Fiat Ansalvo CV3/35 e alguns remanescentes franceses Renault FT-17. Não só Lee como também os Stuart recebidos no mesmo período eram muito superiores em termos de desempenho, peso, dimensões e armamento.

Inicialmente os M3A3 e M3A5 foram alocados junto ao 1º Batalhão de Carros de Combate, 2º Batalhão de Carros de Combate e 3º Batalhão de Carros de Combate, tendo como as capitais dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, estas unidades também estavam equipadas com o carro leves de combate M3 Stuart e M3 White Scout Car. Até o primeiro semestre de 1945 o M3 seria o principal carro de combate no Exército Brasileiro, e mesmo apesar de ser superado em número pelos Stuart, ainda detinha o melhor poder de fogo. A partir de agosto de 1945 começaram a ser recebidos os primeiros M4 Sherman, que gradativamente assumiram a posição de principal carro de combate brasileiro.
No início da década de 1960  restavam poucos carros operacionais, sendo esta indisponibilidade causada pela a crônica falta de peças de reposição (principalmente no que tange ao motor radial Wright a gasolina que deixará de ser fabricado em 1945), e cada vez mais os M3A3 e M3A5 estavam relegados a missões de segunda linha, a partir de 1957 começaram a ser recebidos os primeiros M-41 Walker Buldog, determinando o fim da carreira de combate do modelo sendo que apenas algumas unidades conservadas para treinamento na Escola de Motomecanização (EsMM ) no Rio de Janeiro até o fins de 1969, quando foram enfim descarregados tendo seus componentes principais como peças de motor, caixas reguladoras e geradores sendo aproveitados para suprir a frota de M4 Sherman.