quarta-feira, 6 de junho de 2018

Nahuel D.L.43


Devido a dificuldade dos argentinos em adquirirem carros de combate durante a II guerra mundial, devido a sua neutralidade e mesmo indisponibilidade dos tradicionais fornecedores, foi decidido a implementação do desenvolvimento nacional de um carro de combate médio a partir de 1945. Procurou-se desenvolver um projeto que contemplasse ao máximo os componentes de produção local, dentro da realidade do parque industrial deste país.

Denominado Nahuel D.L.43, e obviamente inspirado no Sherman norte-americano, foi equipado com lagartas, roletes, motor, caixa de marchas e outros componentes importados dos estados Unidos. Possuía blindagem inclinada de 80 mm a frente e linhas modernas para a época. Seu armamento era fraco: um canhão Krupp L.30 1909 de 75 mm, com alcance de 7.700 m e cadência de 20 tpm. Foram produzidos apenas 16 exemplares, e com o fim da guerra uma grande quantidade de de carros de combate novos e a preços atraentes ficou disponível. As autoridades argentinas deram preferência ao Sherman Firefly do qual adquiriram 120 unidades equipadas como canhão de 76 mm (17 libras) inglês. Desta forma a produção do Nahuel foi interrompida. 


O motor era um Lorraine-Dietrich 12 EB com 12 cilindros em V e 450 hp feito pela Military Airplane Factory entre 1931 e 1932 para impulsionar o caça Dewoitine D21. Foi acoplado um transmissão hidráulica de cinco velocidades, quatro à frente e uma à ré. O chassi e suspensão eram equipados com duas polias motoras frontais e duas tensoras e três boogies de rodas de apoio duplas de cada lado,além de cinco pares de roletas de retorno. Este conjunto permitiu-lhe atingir uma velocidade de 64 km/h e superar obstáculos com um gradiente de até 30º. Possuia autonomia de 250 km.




TAM - Tanque Argentino Médio



O TAM é o carro de combate padrão do Ejército Argentino, desenvolvido a partir do modelo alemãoRheinstahl Marder, por uma equipe de engenheiros argentinos e alemães. Seu desenvolvimento começou em 1974 e resultou na construção de 3 protótipos, sendo que a produção seriada se deu a partir de 1979 pela TAMSE, fundada pelo governo argentino com o propósito de produzir este modelo. Dificuldades econômicas interromperam a produção em 1986, com 256 entregues. Foi retomada em 1994 com um total de 657 veículos de todos os modelos, sendo 376 TAM, 216 VCTP, 50 VCTM e 15 AAH.

Na década de 1960, o Ejército Argentino sentiu a necessidade de substituir sua frota de blindados por modelos mais modernos, na época composta por modelos M4 Sherman e Sherman Firefly. O primeiro passo para a renovação da frota blindada portenha foi a compra de 70 caças-tanques franceses AMX-13/105, que não satisfez as exigências dos generais daquele país. Diante desta experiência o estado-maior do Ejército Argentino desenvolveu uma nova pré-seleção para definir o novo carro de combate. Foram considerados o Leopard 1 alemão e o AMX-30 francês, ambos tidos como leves, bem protegidos e com boa mobilidade. O M-60 norte-americano foi considerado pesado, sem autonomia necessária, lento, e mais caro para comprar e manter. Após avaliações todos os candidatos foram rejeitados, e partiu-se para a busca de um modelo que cumprisse os requisitos operacionais para a constituição de uma nova família de blindados.


Buscando o desenvolvimento da industria nacional o governo argentino partiu em busca de fornecedores para desenvolvimento conjuntos e transferência de tecnologia, devido a falta de recursos para desenvolvimentos próprios e também pela inexperiência neste tipo de empreendimento. Muito embora os argentinos tivessem projetado na década de 40 o modeloNahuel DL-43, projetar um veículo moderno era inviável para a realidade local, pela ausência de oficinas e instalações tecnológicas adequadas. Por fim foi assinado um acordo com o grupo alemão que desenvolveria o TH-301, uma versão modificada do Marder, com engenheiros argentinos trabalhando na alemanha junto aos locais, para a efetivação da transferência de tecnologia.

Desenvolveram-se duas versões básicas solicitadas pelos generais argentinos. A primeira um tanque médio de 30 toneladas com canhão de 105 mm, e a segunda um VCTP dotado de uma torre de 20 mm para transporte de infantaria. As avaliações transcorreram em 2 anos, quando foram efetivados testes diversos, cobrindo 10.000 km, do sopé da Cordilheira dos Andes até 4.560 m acima do nível do mar, na planície central e no deserto da Patagônia, com temperaturas até -15°C, bem como nas florestas tropicais do norte mais 38°C. Depois de mais de 1.400 testes e modificações de vários tipos foi dada luz verde para a produção do primeiro lote.




Durante anos o TAM foi o melhor tanque na região, sendo seus adversários diretos o M51 "Super Sherman", AMX-30B e M41 chilenos e os M41C brasileiros. Exceção ao AMX-30B, embora numericamente inferior, não havia tanque comparável ao TAM. Em meados da década de 1990, a situação se equilibrou com a introdução Leopard1A1 e A5 e M-60A3TTS brasileiros e Leopard1V chilenos. Em 2005, com a entrada em serviço do Leopard2A4 no Ejército de Chile, a balança pendeu para este provocando um desequilíbrio real em nível regional.

Fora dada ênfase a padronização. Com uma família de veículos sobre chassi único, manutenção e treinamento seriam maximizados, além de logística de campo e economia de escala. Os requisitos básicos foram:
  • Canhão de 105 mm ou superior;
  • Alta velocidade e manobrabilidade;
  • Autonomia no asfalto de mais de 500 km sem tanques externos;
  • Peso de 35 toneladas ou menos, em ordem de combate;
  • Sistema de controle de fogo de última geração;
  • Operar em todas as regiões do país, montanha até 4.500 metros acima do nível do mar, floresta tropical, deserto da Patagônia e planícies desertas.
Exceto o motor, a transmissão e o controle de incêndio, o carro é todo produzido por empresas argentinas. Os elementos essenciais do veículo: sistemas de blindagem, armas e comunicações, foram feitos no país, com projeto nacional ou fabricados sob licença.




Seguindo a configuração já existente no modelo Marder o motor foi mantido a frente do lado direito e motorista do lado esquerdo, configuração incomum para um carro de combate que normalmente tem o motor na parte de trás, também adotada no modelo Merkava israelense. Esta disposição oferece a tripulação uma proteção extra contra disparos que impactam a parte frontal, pois além da blindagem o projétil encontrará o motor em seu caminho. Sua blindagem é composta de uma liga de aço-níquel-molibdênio, considerada fraca se comparada a outros carros de combate, podendo segundo se sabe enfrentar projéteis de 40 mm, medindo cerca de 50 mm na dianteira e 35 mm nas laterais, com 12 mm na torre. Esta deficiência é compensada em parte pela baixa silhueta do veículo e sua grande mobilidade. O trem de rolamento é composto por 6 pares de rodas de apoio, além de uma polia tratora da lagarta e uma polia tensora montada a frente junto ao trem de força, além de 3 pares de rodízios de retorno. A suspensão é composta por 12 barras de torção e 8 amortecedores, com dispositivos para redução de ruído. As lagartas podem ainda ser equipadas com acessórios em forma de X para rolamento em terrenos congelados e neves, de metal em substituição à borracha. Mede 6,78 m de comprimento; 3,12 m de largura e 2,42 m de altura.

O trem de força é a grande diferença em comparação com o Marder, composto por um motor diesel MTU MB833 Ka500 turboalimentado e 4 tempos, 720 cv a 2.400 rpm, com 6 cilindros em V, 22,4 Litros e injeção direta, acoplado a uma transmissão HSWL-204 com 4 marchas a frente e 4 a ré. Graças ao seu baixo peso, o TAM tem excelente mobilidade, proporcionada por uma elevada relação peso/potência de 24HP/ton e pressão sobre o solo de 0,77 kg/cm². Possui autonomia de 550 km e capacidade interna de combustível de 680 litros, podendo ser aumentada para 900 km, com dois tanques descartáveis de 200 litros cada. Pode transpor vaus de até 1,4 m sem preparo, 2,5 m com um sistema hidráulico e 4 m com um snorkel semelhantes ao da série Leopard. O Carro pesa 29 ton vazio e 32 ton em condições operacionais. Cruza a uma velocidade de 72 km/h na estrada e 40 km/h em terreno despreparado, com limitada capacidade para disparar em movimento devido a torre estabilizada.




Seu armamento principal é uma versão argentina do canhão L7A3 de 105 mm, 28 raias a direita e 18 calibres, sem luva térmica, sendo que as primeira unidades utilizavam uma versão alemã. É feita de um tubo de aço forjado sem freio de boca, com alcance de 2.500 m. O disparo é elétrico e o fechamento da cunha vertical, podendo disparar de -7º a +18º, com a torre girando 360º por acionamento eletro-hidráulico, estabilizada em 2 eixos com comando duplo. Pode disparar projéteis APFSDS-T, APDS-T, HEAT-T, HESH-T. Possui lançadores de fumígenos de 88 mm em 4 tubos de cada lado da torre. Pode transportar 50 projéteis, 30 no chassi e 20 na torre. O controle de fogo é disponibilizado por um telêmetro laser de 8x de terceira geração e 9,9 km, e um periscópio panorâmico Zeiss/RTA com ampliação de 8x e campo visual de 30º, podendo ser alinhado com o armamento principal e se sobre por a mira do atirador. Um computador balístico produzido pela AEG Telefunken realiza o cálculo e correções de acordo com cada tipo de munição, distância do alvo e posição da torre. Está conectado ao sistema de estabilização do armamento principal, sendo os dados introduzidos manualmente pelo operador.






O TAM despertou o interesse de alguns países como o Perú que chegou a encomendar 20 TAM e 26 VCTP mas teve seu pedido cancelado por razões orçamentárias, sendo estes veículos absorvidos pelo Ejército Argentino. O pedido do Panamá não se concretizou pela invasão dos EUA. O Irã manifestou intenção para mais de 1000 exemplares, porém a venda foi embargada pela Alemanha que produzia parte do veículo. O Iraque interessou-se por 400 exemplares e novamente pressões internacionais frustraram o negócio. Cabe salientar que as condições do oriente médio não são as ideais para o TAM que é um carro levemente blindado. Este interesse provavelmente seja uma alternativa possível para estes países que viviam sob embargo econômico. Arábia Saudita, Kwait e equador também demonstraram interesse, porém sem continuidade. O projeto do TAM revelo-se eficiente e bem sucedido e com potencial de crescimento, porém seu chassi baseado em um veículo de combate de infantaria e a dependência da Alemanha para sua comercialização impediram que fosse além das fronteiras argentinas.




Em 2013 o Ejército Argentino e a Elbit de Israel apresentaram o protótipo do TAM 2C, projeto que visa a modernização deste carro, cujo estado de manutenção se encontra em estado crítico. Trata-se de um ambicioso programa de modernização que o equiparará aos Leopard 1 brasileiros em poder de fogo, porém o manterá inferior aos Leopard 2 chilenos, principalmente em proteção blindada. Não foi mencionado nenhum reforço de sua proteção blindada além de saias laterais, porém acredita-se que em uma segunda fase tal ítem seja adicionado. Devido as características de solo fofo do pampa argentino, qualquer aumento de peso tem que ser cuidadosamente avaliado . As principais características deste projeto de "upgrade" são:
  • Camisa Térmica para o canhão;
  • Torre e canhão com acionamento elétrico;
  • Sistema C2, de comunicações  e interfone integrados;
  • Direção e controle de fogo digitalizado;
  • Detector e mira laser;
  • Rastreamento automático de alvos;
  • Visor termográfico para o comandante e  atirador;
  • Sistema termográfico para o motorista;
  • Sistema anti-incêndio automático no compartimento da tripulação.
  • Instalação de uma APU;

Foi mencianada ainda a possibilidade de disparo do missil LAHAT desenvolvido pela IAI, com capacidade de tiro indireto e certa capacidade contra helicópteros. Será possível também o disparo em movimento a media velocidade. 



Versões:
  • VCA 155: utiliza um chassis pesado de 40 toneladas com 7 rodas de apoio, com uma torre Palmaria italiana armada com uma peça de artilharia de 155 mm. 17 exemplares;
  • VC AMUN: municiador de artilharia. Capaz de transportar 80 projeteis de 155 mm e reabastecer um VCA em 10 minutos;
  • VCRT: logístico;
  • VCDA: Defesa aérea com 2 canhões de 30 ou 35 mm;
  • VCLC: lancador múltiplo de artilharia, utiliza projeteis "CAL-160" o "CAL-350", versões locais dos israelenses LAR-160 e MAR-350;
  • VCPC: posto de comando;
  • VCRT: veículo de reboque e salvamento;
  • VCLP: lança-pontes;
  • VCTM: porta-morteiro com uma peça de 120 mm;
  • VCLM: lancador do míssil Roland 2;
  • VCTP: Transporte de pessoal, armado com uma canhão automático RH-202 de 20 mm. Pode transportar 10 soldados com acesso por rampa traseira e podem disparar por seteiras no casco. Em serviço;
  • VCA: ambulância.








Merkava MBT




No mês de outubro de 1966 os israelenses receberam de forma discreta 2 carros de combate Chieftein para testes no deserto, visando uma modernização das forças blindadas do país judeu. Porém, mesmo depois dos testes realizados, a eclosão da Guerra do Seis Dias provocou por parte dos ingleses um embargo total na venda de armas a Israel. Outros países europeus já vinham mantendo embargo semelhante e Israel acabou com os EUA como único fornecedor. Sem escolha, os israelenses receberam nos anos seguintes quantidades significativas de blindados M-48 e M-60.


Sabendo das pressões que o mundo árabe exercia sobre os americanos para que este canal de fornecimento fosse estancado e temendo perder sua única fonte, os israelenses decidiram buscar a independência em relação ao resto do mundo neste quesito, mesmo sabendo que o caminho era longo e dispendioso, porém não havia outra forma de controlar seus destinos no que tange ao fornecimento e operação de carros de combate.




Desde sua independência, Israel mantinha oficinas em constante atividade mantendo e modificando carros de combate importados, fazendo veículos M-4 Sherman, Centurion, T-54, T-55 e M-48 se manterem em atividade muito além do que podia se esperar deles. Esta experiência duramente adquirida por necessidade de sobrevivência, criou as condições técnicas para a satisfação de uma necessidade estratégica.

Em 1967 iniciaram-se estudos pre-eliminares das características do novo carro, mas somente em 1970 veio a luz verde governamental para seu desenvolvimento. Liderados pelo General Israel Tal, um tanquista veterano de muitas campanhas, uma equipe de engenheiros esboçou as linhas mestras do que viria a ser o MBT judeu. O primeiro quesito considerado foi a segurança da tripulação, pois este país não podia se dar ao luxo de perder recursos humanos em combate, já que mantinha e mantem até hoje um efetivo de soldados-cidadãos, ou seja, devido a sua população pequena, seus combatentes eram os mesmos que em tempos de paz mantinham as atividades civis. Estatísticas apontavam a dificuldade de se abandonar o interior do tanque atingido sob fogo inimigo. O poder de fogo veio em segundo lugar, ficando a mobilidade como a terceira e menos importante característica deste novo tanque. O custo de desenvolvimento foi de US$ 65 milhões, sendo que os EUA contribuíram com US$ 100 milhões no desenvolvimento e produção. Em 1979 as primeiras unidades foram entregues a 7ª Brigada.




Desenhou-se uma silhueta muito baixa, com a torre reduzida a dimensões mínimas. O motor colocado a frente a direita, oferecia proteção extra, ficando a tripulação e a torre acomodados na parte traseira do carro. O motorista a direita fica isolado da tripulação por uma parede blindada, embora possa acessar seu posto pelo compartimento de combate. Por fim optou-se por componentes já testados no deserto sempre que possível. O motor escolhido foi Teledyne Continental AVDS-1790-5AV12 de 900 hp a 2.400 rpm, acoplado a uma transmissão Allison CD-850-6BX, já usado nos M-60 e M-48, além do Centurion ali repotenciados. Como não poderia deixar de ser a blindagem espessa elevou o peso do carro, limitando sua velocidade da 46 km/h (72 km/h no Leopard II alemão). Rodas, suspensão e lagartas eram as mesmas do Centurion inglês, já usado por Israel. Pesando 63 toneladas tem uma relação peso/potência de 14 hp/ton. A substituição do conjunto de força pode ser feita em campo em cerca de 60 minutos. O carro é apoiado sobre seis rodas que rodam dentro da lagarta, sendo a polia tratora a frente e a tensora atrás, com quatro roletes de retorno, sendo cada roda suspensa por uma mola helicoidal e dois braços de suspensão, com pressão sobre o solo de 0,9 kg/cm2.

Construiu-se então um carro de combate extremamente resistente, embora lento, que enfrentou com eficiência os novíssimos T-72 soviéticos em combates no Líbano em 1982. Além da tradicional escotilha superior, o Merkava conta com uma escotilha no compartimento de combate pela traseira, o que permite a tripulação abandonar o carro em segurança quando sob fogo, podendo ainda, com igual segurança recolher feridos e tripulantes de outros tanques. Devido a configuração de VCTP (tal qual o TAM argentino) com motor a frente, o chassi do Merkava pode ser utilizado para outros usos como transportador de tropas, veículo de comando, e outros. Mede 8,68 m de comprimento; 3,7 m de largura e 2,75 m de altura; com distância do solo de 0,47 m. Carrega 1250 litros de combustível para uma autonomia de 400 km. Pode superar rampas de 70% e operar com inclinação lateral de 38%.




O blindagem é fundida e soldada, com placas espaçadas, sendo este espaço preenchido com óleo combustível, que ameniza o efeito do impacto de projéteis explosivos. O canhão é uma versão israelense do Vickers L7 inglês, denominada M64, de 105 mm com luva térmica, capaz de disparar projéteis HEAT, HESH, APFSDS e de fósforo, sendo todo o conjunto estabilizado por um sistema Cadilac Gage dos EUA. Elevação de 20º e depressão de 8,5º e alcance de 6 km. Transporta ainda um morteiro Soltam de 60 mm. Possui Telêmetro laser  que pode ser usado pelo atirador e pelo comandante e computador balístico alimentado manualmente. Sensores medem a velocidade do vento, o ângulo do canhão, a temperatura da carga e a densidade do ar. Possui ainda faróis infravermelhos e armazena 86 projéteis, que ficam em compartimentos isolados da tripulação. um sistema informatizado de logística controla o consumo de munição. O veículo possui ainda ar condicionado, sistema de combate a incêndio e sistema de distribuição de água a tripulação, todos de uma importância significativa nas condições escaldantes do deserto.




O Modelo Mk.2 incorporou os ensinamentos colhidos na guerra do Líbano, e entrou em serviço em abril de 1983. Foi dada ênfase a guerra urbana e conflitos de baixa intensidade, mas o carro permaneceu basicamente o mesmo. Um novo morteiro, agora interno com disparo remoto evitou a exposição dos tripulantes a armas de fogo leves. A parte traseira da torre recebeu maior proteção anti-rojão (anti-RPG), A transmissão passou a ser totalmente automática e a capacidade de armazenamento de combustível foi aumentada. Houveram aperfeiçoamentos no sistema de controle de fogo como sensores meteorológicos de mensuração de vento lateral alimentando o computador balístico. Foram introduzidos novos instrumentos de observação com sistemas de amplificação de imagens e instrumentos termográficos. O MK.2B teve seu sistema de observação termal e controle de fogo aperfeiçoado. O Mk.2C recebeu melhorias na blindagem da torre. O Mk.2D teve a incorporação de blindagem modular com especificações não divulgadas. Foi produzido até 1989 com cerca de 580 unidades.

O Modelo Mk.3 teve o canhão substituído por um modelo de 120 mm fabricada pela IMI capaza de disparar a Lahat ATGM, com culatra rotativa de 10 cargas. Incorporou ainda um novo motor MTU turbodiesel de 1200 hp e nova transmissão, aumentando a velocidade para 60 km/h. Pequenas melhorias foram adicionadas com o tempo. Foi produzido de 1989 a 2002 e cerca de 780 unidades foram construídas. O Mk.3 Baz são melhorias adicionadas a séries mais antigas como nova blindagem composta, sistema de controle de fogo que permite engajar vários alvos em movimento, proteção NBC e melhor ar-condicionado de construção local. O Mk.3 Dor Dalet incorporou novas lagartas e armamento secundário controlado remotamente.



O Modelo Mk.4 incorporou as melhorias das modificações Baz e Dor Dalet. O canhão MG253 foi atualizado para disparar todos os últimos tipos de munição, inclusive APDSFS. A blindagem foi melhorada no topo da torre e na parte inferior, com perfil em V para proteção antiminas. Sistema de redução de assinatura térmica desenvolvidos para o IAI Lavi foram incorporados. Entrou em serviços em 2004. Possui um motor General Dynamics GD 833 V12 de 1500 hp, derivado do MTU alemão, produzido sob licença e velocidade de 64 km/h. O sistema de controle de fogo possui um sistema de TV de 2ª geração com rastreador térmico, visor noturno e telêmetro laser com capacidade de engajamento de aeronaves. Possui um sistema operacional integrado com enlace de dados e guerra centrada em redes. Possui ainda um sofisticados sistema de cãmeras e telas para visualização de exteriores.








Altay MBT




O Altay é o primeiro MBT desenvolvido especialmente para equipar o exército turco  pelo governo daquele país, baseado no projeto do K2 sul-coreano e sob assistência técnica da Hyundai Heavy Industries. Seu projeto começou em 2005 com a conclusão da fase conceitual em 2010, com o primeiro protótipo apresentado em 2015; concebido para fazer frente aos mais modernos MBTs do mundo. A Otokar é a contratante principal com a Roketsan ocupando-se da blindagem e MKE o armamento e subsistemas. Está prevista a aquisição de 1.000 unidades em 4 lotes de 250 tanques cada. A Arábia Saudita manifestou a intenção de adquirir o veículo.

Apresenta linhas mais limpas em relação ao seu projeto base sul-coreano, apresentando casco mais longo e uma roda de apoio a mais, com a torre de concepção totalmente turca atendendo a requisitos deste exército. Mede 10,3 m de comprimento; 3,9 m de largura; 2,6 m de largura e Pesa 65 ton. Pode vadear a 1,2 m e 4,1 m com preparação. Supera trincheiras de 2,8 m; obstáculo vertical de 1 m; rampas de 60% de inclinação e inclinação lateral de 30%.



Está potenciado com um motor diesel MTU 883 V12 de 1.500 HP a 2.700 rpm (1.800 hp nos lotes finais, com motor turco) montado tradicionalmente a traseira, acoplado a transmissão automática Renk HSWL 295TM, podendo desenvolver uma velocidade máxima de 70 km/h com autonomia de 500 km. A suspensão é do tipo hidropneumática a qual assenta o veículo sobre sete rodas de apoio, com polia tensora a frente a tratora na parte de trés junto ao motor. Está sendo considerada a adoção de um motor elétrico para reduzir sua detectabilidade em ação. A relação peso/potência é de 23,07 hp/ton.



Está armado com um canhão principal de alma lisa Rheinmetall de 120 mm e 55 calibres fabricado localmente, montado na torre, uma metralhadora de 7,62 mm controlada remotamente e uma metralhadora de 12,7 mm para fogo antiaéreo. Transporta 40 cargas de 120 mm armazenas em separado à tripulação, 10.000 cargas de 7,62 mm e 3.200 cargas de 12,7 mm. Lançadores de granadas fumígenas com 16 cargas, em 8 lançadores. Possui avançado sistema de controle de incêndio e explosão, visores termográficos e intensificadores de visão noturna, além de completo sistema de proteção NBC. Possui sistema de gerenciamento de campo de batalha e tem capacidade de tiro antiaéreo com a arma principal.




AMX-56 Leclerc




O Leclerc é o MBT padrão do exército francês que surgiu para substituir o AMX-30 nas fileiras desta força. É considerado hoje o mais moderno MBT em serviço e iniciou seu serviço ativo em 1992. Totalizou 406 unidades para a França e 388 unidades para os Emirados Árabes Unidos, sendo considerado o mais caro MBT de todos os tempos quando de sua estréia (cerca de 9,3 milhões de Euros). Seu fabricando é a tradicional GIAT, agora Nexter.




Sempre com vistas as novas gerações de MBTs soviéticos, e seu antecessor (AMX-30) mostrando-se nitidamente inferior, em 1964 foram iniciados os estudos visando a concepção de um novo modelo. Após uma parceria frustrada com a Alemanha e descartando outros modelos existentes, os franceses decidiram por um projeto próprio. Opós rejeitar a concepção Chobhan britânica de blindagem, o AMX-56 nasceu com uma blindagem equivalente de 400 mm, uma composição de titânio e tungstênio, composta com camadas semi-reativas, sendo considerada uma proteção de 4ª geração. Esta composição almejou alcançar o dobro de proteção em relação às blindagens existentes contra penetradores de energia cinética (SABOT). Possui capacidade modular, onde camadas adicionais de armadura podem ser adicionadas a medida que forem sendo desenvolvidas. A torre está equipada com placas de blindagem reativa. Possui ainda lançadores quádruplos para granadas fumígenas em cada lado da torre.




Após um período de testes em lotes de pré-série onde problemas no motor e suspensão vieram a tona, o lote 5 entrou em serviço definitivo, sendo que até o ano de 2005 os lotes anteriores foram modernizados para o padrão do lote 10. Atualmente 4 regimentos franceses operam este MBT com cerca de 60 unidades cada, com outras 100 em reserva pronta.




Está armado com um canhão de alma lisa de 120 mm e 52 calibres do mesmo fabricante CN120-26, capaz de disparar a munição padrão da OTAN. Possui camisa térmica e sistema de extração de fumaça por ar comprimido operado automaticamente. De carregamento automático, reduz a tripulação para 3 integrantes, podendo disparar a 12 TPM. Carrega 6 tipos diferentes de munição, porém não pode alternar automaticamente o tipo a ser usado, estando sempre 22 unidades em condições de carregamento. Pode disparar a 50 km/h em alvos a 4 km de distância. Opera ainda uma metralhadora de 12,7 mm e uma outra de 7,62 mm operada remotamente. O controle de fogo é digital com integração automática dos visores NVG e IR tando do artilheiro como do comandante do carro, e outros sensores presentes nos MBTs modernos.
Está potenciado com um motor diesel SACM V8X-1500 de 8 cilindros em V e 1500 hp, acoplado a uma transmissão automática SESM ESM500 de 5 marchas a frente e 2 a ré. Pesando 57,4 ton na versão mais moderna, possui uma relação potência/peso de 27,52 hp/ton. Pode desenvolver 72 km/h na estrada com uma autonomia de 550 km (1300 litros), podendo instalar tanques externos para até 650 km (1700 litros). Os tanques extras limitam a rotação da torre e devem ser removidos quando em combate. A suspensão é do tipo hidropneumática e apoia o carro sobre 6 pares de rodas que rodam em conjunto com a lagarta, com polia tensora à frente e tratora a retaguarda junto ao compartimento do motor. Possui uma APU Turbomeca para suporte aos sistemas com o motor desligado, que atua também como turbocompressor do motor. É um dos mais ágeis MBTs do mundo na sua faixa de peso, acelerando de 0 a 32 km/h em 6 segundos. Mede 9,87 m de comprimento; 3,6 m de largura e 2,53 m de altura.

Sua experiência de combate é moderada uma vez que só atuou em conflitos de baixa intensidade como forças de pacificação a serviço da ONU (Kosovo) e da OTAN (sul do Líbano).