terça-feira, 24 de abril de 2018

BLINDADO LANÇA-CHAMAS FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO 1931 – 1932

Um bizarro blindado de lagarta, todo cinza, pesando 4 toneladas se posiciona próximo à entrada de uma ponte na região de Cruzeiro, SP, ponte esta de madeira e devido ao seu peso era impossível transpo-la, junto a ele soldados paulista revolucionários, armados de fuzis e metralhadoras pesadas. Do outro lado do rio tropas do governo federal tentando ocupar essa estratégica ponte. No meio do avanço o blindado se coloca na extremidade da mesma e começou a “cuspir” fogo e disparar suas duas metralhadoras frontais, deixando em pânico a tropa invasora que imediatamente bateu em retirada pois os soldados o viam como algo demoníaco, principalmente nos combates noturnos.
Vista frontal do Blindado Lança-Chamas. Notar o lança-chamas na torre, o holofote no centro, abaixo a grade de refrigeração do motor e as duas metrallhadoras Hotckiss de 7mm.
Crédito da foto: Seção de periódicos, UFJF/Defesa 
      Este fato seu deu em plena Revolução Constitucionalista de 1932, a nossa maior guerra civil e a mais rica em desenvolvimento de veículos blindados, fruto da 1ª Guerra Mundial, ocorrida principalmente na frente ocidental entre 1914 e 1918.

          Naquele conflito surgiu uma nova arma, decisiva na vitória dos aliados, o “tanque de guerra” e um gama variada de veículos blindados, os quais irão influenciar o pensamento brasileiro tanto no Exército quanto nas Forças Públicas estaduais.
O criador do Blindado Lança-Chamas, Tenente da Força Pública de São Paulo, REYNALDO RAMOS DE SALDANHA DA GAMA (primeiro à esquerda), em 1931.
Crédito da foto: Seção de periódicos,
 UFJF/Defesa
“demônio cospe fogo”. Treinamento na cidade de Lorena, SP, em plena Revolução de 1932.
Crédito da foto: Seção de periódicos,
UFJF/Defesa

          O Blindado em questão fora concebido um ano antes da revolução, quando a Força Pública de São Paulo criou uma Seção de Carros de Assalto, sendo o primeiro veículo a ela incorporado. Esse blindado de lagartas, único, construído sobre chassi de trator agrícola Caterpillar provavelmente um da série Twenth Two, muito comum no Brasil nos anos 30, foi desenvolvido pelo Tenente Dr. Reynaldo Ramos de Saldanha da Gama, com o apoio da Escola Polytechnica. Construído em chapa de aço rebitada, com torre giratória, armado com um lança-chamas e ao redor de seu casco com quatro metralhadoras Hotchkiss de 7mm ele possuía uma aparência estranha em relação ao que já fora produzido em outros países. Foi denominado "BLINDADO LANÇA-CHAMAS".

          Era lento, baixo centro de gravidade, pouca mobilidade em terreno acidentado, impressionando muito mais pelo seu aspecto do que pela sua mobilidade e eficácia. No seu interior acomodavam-se seis pessoas, o motorista e cinco artilheiros num desconforto total, mas mesmo assim ele impressionava. Sua blindagem resistia a tiros de armas leves. Era transportado sobre a carroceria de um caminhão em distâncias mais longas. Estava ainda equipado com dois holofotes, um na frente e outro na traseira, o que possibilitava ações noturnas.

          Foi exaustivamente testado na região de Lorena, SP e operou num raio de ação próximo aquela cidade nos três meses em que durou a revolução, empregado com relativo sucesso.
Blindado Lança-Chamas e sua tripulação. Nesta foto existe uma pessoa a mais, provavelmente apenas incorporado para tirar esta fotografia.
Crédito da foto: Seção de periódicos,
UFJF/Defesa
Blindado Lança-Chamas sendo embarcado em um caminhão para ser levado à frente de combate.
Crédito da foto: Seção de periódicos, UFJF/Defesa
Trator Cartepillar Twenty Two similar ao que foi blindado e transformado em Lança-Chamas. Este trator encontra-se preservado no Museu Rodoviário de Paraibuna, RJ.
Crédito da foto: Coleção do autor
Vista lateral e parte interna da cabine de pilotagem.Notar as alavancas, painel de instrumento, suspensão e lagarta do trator similar ao que foi blindado. Museu Rodoviário de Paraibuna, RJ.
Crédito da foto: Coleção do autor

          Ele foi o mais leve dentre os seis construídos, pois quatro pesavam de 4 a 6 toneladas e o maior de todos que não chegou a ficar pronto pesava 11 toneladas, mas isto já e outra história.

          Vale ressaltar que Revolução Constitucionalista de 1932 revelou as deficiências do Exército em sua preparação para o combate. A Companhia de Carros de Assalto, criada em 1921 com tanques franceses, poderia ter aberto brechas rapidamente nas linhas paulistas, mas ela fora extinta em fevereiro de 1932, devido a precariedade dos veículos, e principalmente pelo fato de não ter conseguido motivar grande parte da oficialidade, ficando desta forma sem o entendimento necessário, o que viria alguns anos depois, muito embora os remanescentes daquela companhia atuaram nessa revolução, isoladamente. Os revoltosos também não souberam usar seus blindados, sua variedade era muito grande, dificultando em muito seu emprego e o apoio logístico em ambos os lados ainda era extremamente precário.
          Mas a revolução mostrou a importância destes engenhos, tanto sobre rodas como lagartas, embora a maioria tenha sido projetada sob a supervisão de antigos integrantes de exército estrangeiros (Húngaros, Alemães, Ingleses, Americanos, Romenos, Russos, Checos, etc.) que após a primeira guerra mundial haviam imigrados para o Brasil.
Vista traseira do Blindado Lança-Chamas. Reconstituição feita pelo autor na escala 1:35. Notar o holofote e as duas metralhadoras Hotchkiss de 7mm.
Crédito da foto: Coleção do autor
Reconstituição feita pelo autor na escala 1:35 do Trator Blindado Lança-Chamas.
Notar o soldado Constitucionalista, com fardamento completo ao lado do blindado.
Crédito da foto: Coleção do autor

          Estes engenhos não foram bem assimilados pelo Exército, que ao invés de estudá-los e ver sua viabilidade, simplesmente os destruíram, pois a ortodoxia dos cavalarianos que não acreditavam que seus cavalos pudessem ser substituídos por engenhos desta natureza ainda levaria muitos anos para ser definitivamente mudado no seu seio, ocorrendo posteriormente como fruto principal da Campanha Italiana na Abissínia no final dos anos 30 e culminando com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, onde os veículos blindados, tanto sobre rodas ou lagartas, demonstraram ser uma ferramenta importante para todos os conflitos futuros. e foram definitivamente aceitos e compreendidos por nós.
Desenho em quatro vistas elaborado por Gilson Maroco, mostrando o blindado Lança-Chamas. Exclusivo para o UFJF/Defesa

          A título de curiosidade, vale lembrar que o conceito de blindados equipados com lança-chamas foi largamente difundido por diversos exércitos ao longo da segunda guerra mundial, montados em plataformas blindadas mais sofisticadas e que foram decisivos, principalmente nos combates ocorridos na reconquista de diversas ilhas no pacífico pelos norte-americanos.

BIBLIOGRAFIA:
Andrade, Euclides. Camara, Helly F. A Força Pública de São Paulo, Esboço Histórico, 1831 – 1931. Sociedade Impressora Paulista, São Paulo, 1931;
Bastos, Expedito Carlos Stephani. Palestra Ascenção e Queda da Indústria de Material de Defesa no Brasil 1762 – 1992, in Academia da Força Aérea -AFA, Pirassununga, SP, 1992;
Bastos, Expedito Carlos Stephani. Palestra Principais Projetos de Blindados no Brasil, in Centro de Instrução de Blindados -General Walter Pires, Rio de Janeiro, RJ, em 03 de outubro de 2003.
Brussolo, Armando. Tudo pelo Brasil. Editorial Paulista, São Paulo, 1932;
Donato, Hernani. A Revolução de 1932. Círculo do Livro, Rio de Janeiro, 1982;
Morgan, Arthur. Os Engenheiros de São Paulo em 32. São Paulo, 1932;
Oliveira, Clóvis de. A Indústria e o Movimento Constitucionalista de 1932. C.F.I.S.P., São Paulo, 1956;
De Paula, Jeziel. 1932 – Imagens Construindo a História. Editora Unicamp/Unimep, 2ª tiragem, Campinas, 1999;
Sanders, Ralph W. Vintage Farm Tractors. Barnes & Noble Books, New York, 1996;
Silva, Herculano Carvalho e. A Revolução Constitucionalista. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1932;
Jornal A GAZETA, diversos números do ano de 1932;
Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, diversos números do ano de 1932.

CARRO DE COMBATE TAMOYO

A década de 70 foi um período muito importante para o desenvolvimento de veículos blindados no Brasil. Muitos projetos nascidos no Parque Regional de Motomecanização 2 em São Paulo foram a base para o desenvolvimento de famílias inteiras produzidas por diversas empresas brasileiras como Biselli, Bernardini, Engesa e muitas outras.

          Este aprendizado propiciou um sonho maior que foi o de conceber um Carro de Combate Médio totalmente brasileiro, que seria o sucessor natural do M-41 C já repotenciado no país.

          A idéia ganha forma no início dos anos 80, quando o Bernardini estudava a viabilidade de conceber um carro viável e que fosse adequado para o Exército, denominado inicialmente de X-30. Este apresenta um Requisito Operacional Básico – ROB - mostrando o que ele necessitava e pretendia em termos de desenvolver, em conjunto com empresas privadas, o que seria o novo Carro de Combate a equipar as unidades blindadas brasileiras, de forma a depender o mínimo possível do exterior.
Desenho do que deveria ser o futuro X-30 da Bernardini, que mais tarde virou o Tamoyo I. (Desenho Bernardini – Coleção Autor)

          Partindo dessa premissa procurou-se então desenvolver um Carro de Combate com peso não superior a 30 toneladas, dimensões compatíveis à nossa realidade, principalmente em função da malha ferroviária e com índices de nacionalização o mais elevado possível.

          O primeiro passo foi ver o que mais se adequava ao projeto em termos de motor, suspensão, canhão e design interno e externo do futuro Carro de Combate.

          Inicialmente foi preparado um mock-up em aço que previa um motor frontal, como nos veículos Marder alemães, mas que nem sequer foi completado, tendo sido abandonado, partindo-se para um novo projeto com motor traseiro, inspirado no projeto do XM-4 norte-americano, o qual pode ser visto pelos engenheiros da Bernardini em visita aos Estados Unidos.

          A seguir foi construído um outro mock-up também em aço com a forma que o veículo teria, usando muitos componentes do M-41, inclusive o canhão de 76mm e com baixíssima silhueta e um design bem moderno.
Duas vistas do mock-up de como seriam as configurações do Tamoyo. Ele se encontra preservado no CTEx, no Rio de Janeiro, como monumento. . (autor)
Notar a baixa silhueta do mock-up do TAMOYO. Um belo design. Vários componentes são do M-41.(autor)


          Em maio de 1984 ficou pronto o primeiro protótipo que recebeu o nome de TAMOYO, em homenagem ao povo indígena extinto, do tronco lingüístico tupi, que habitava as margens dos rios São Francisco (MG) e Paraíba do Sul (RJ), na verdade a idéia era representar um índio guerreiro, que não se rendia facilmente e que atirava flechas nos inimigos.

          Sua designação passou a ser TAMOYO I para diferenciá-lo dos outros protótipos, pois esta versão atendia a todos os requisitos e premissas estabelecidas pelo Ministério do Exército, como alto índice de nacionalização, ausência de importações, compatibilidade com os outros equipamentos já existentes, principalmente com os M-41, sua suspensão era por meio de barras de torção e era armado com canhão de 90mm, impulsionado por um motor Scania DSI 14, baixa silhueta e uma configuração bem diferente de tudo o que possuíamos até aquele momento.
Tamoyo I em testes da Bernardini em 1984. (Bernardini S/A)

          Sua blindagem era leve, o mecanismo elétrico de giro da torre era totalmente nacional, sua transmissão era a mesma do M-41, uma CD-500-3, visto ser uma das exigências do Exército.

          O projeto envolveu cerca de 80 pessoas, tanto da Bernardini como do Centro Tecnológico do Exército – CTEx e após testes operacionais partiram para a versão TAMOYO II. Vale ressaltar que na versão I e II, os veículos são muito parecidos externamente, dificultando em muito sua identificação, sendo que as maiores diferenças são internas, o que não ocorre com a versão III.
Tamoyo II testando um novo sistema de amarração para transporte ferroviário em São Paulo. (Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento do Exército)

          Esta nova versão visava atender aos requisitos do mercado internacional, onde foi preciso abrir mão da nacionalização e adquirir equipamentos, principalmente optrônicos, mais sofisticados de forma a torná-lo competitivo, inclusive previa-se a colocação de um canhão de 105mm, uma novidade entre nós naquele momento, mas o que foi colocado nesta versão foi o de 90mm já em uso no M-41 repotenciado.

          A transmissão foi substituída por uma GE HMPT-500-3, igual à dos blindados norte-americanos Bradley que teve de ser acoplada ao motor Scania DSI 14 produzido no Brasil. É curioso imaginarmos as discussões entre os Suecos e Americanos sobre vibrações, refrigeração e bomba injetora, pois esta transmissão trabalha com o motor regulado por ela e a idéia é que o motor diesel trabalhe nos regimes de rotação ótimos de consumo para a potência necessária exigida pelo motorista, isto só para se ter um a idéia de fatores complicadores no desenvolvimento de um blindado. Mesmo com tudo isto ela ainda estava aquém para competir no mercado externo. Ele foi exaustivamente testado pelo CTEx.
Tamoyo II em testes de campo no Rio de Janeiro em maio de 1988. (autor)Tamoyo II en testes realizados pelo Exército Brasileiro em maio de 1988. (autor)

          O fato de não termos tradição na produção destes engenhos bélicos, mesmo com o aprendizado que vinha sendo adquirido e desenvolvido ao longo de uma década, fez com que a Bernardini contratasse um especialista estrangeiro da área de blindados que após analisar o projeto recomendou uma série de modificações, como aumento da blindagem nas partes frontais. O chassi e a torre foram redesenhados para obter 300mm de espessura com blindagens compostas de aço e cerâmica, outro complicador para nós. Foi ainda acoplado um motor diesel V8 Detroit série 92 com duplo turbo e 750HP de potência. O canhão escolhido foi o L7 de 105mm de baixo recuo da Royal Ordnance inglesa, e foram instalados equipamentos de direção de tiro com computador, visão noturna e térmica, estabilização primária por sistema totalmente elétrico, uma novidade na época. Possuía ainda um sistema contra explosões no chassi e torre, que aumentava suas chances de sobrevivência num campo de batalha. Sua suspensão era por meio de barras de torção, como nos protótipos anteriores.

          Desta forma nasceu a versão TAMOYO III, que para se ter uma idéia, o motor nele instalado estava apenas em seu estágio inicial de desenvolvimento, podendo no futuro atingir de 900 a 1000HP. A transmissão para esta versão ainda era um problema, pois a GE não poderia receber mais que 600HP brutos e a sua nova versão estava ainda no banco de testes, nos Estados Unidos, a ZF não tinha nem protótipos disponíveis. A solução encontrada foi usar a velha e confiável CD 850-6 A (a mesma do M-60) que acabou servindo como uma luva, podendo ainda agüentar o motor a cerca de mais de 1000HP brutos.

          O desenho da torre ainda não havia chegado a um perfil ideal, mais afilado, em formato de cunha, em razão de pouca familiaridade com a construção envolvendo blindagem composta, mas a que foi construída era totalmente elétrica, com supressão de explosões, visão térmica, boa proteção, canhão L-7 atirando com o carro em movimento, estabilização da torre, telêmetro laser, munição compartimentada. Seu peso subiu para 31 toneladas, sendo ainda um blindado bem mais leve do que os existentes no mercado à época.
Tamoyo III. Notar a nova torre e o canhão de 105 mm. (Bernardini S/A)
Sistema de amplificação de luz residual acoplado ao periscópio para operação noturna na versão Tamoyo III. (Bernardini S/A)
Motor Detorit Diesel 8V92TA e caixa de transmissão AllisonCD-850-6 A (Bernardini S/A)
Raio X do Tamoyo III. (Coleção do autor)

          A idéia da Bernardini ao projetar o TAMOYO teve como objetivos básicos as premissas de um tanque brasileiro, o uso de tecnologias comprovadas, a utilização de componentes comuns com o M-41 já modernizado por ela, que foram reprojetados e recalculados, com possibilidades de receber todos os itens modernos como direção de tiro, blindagens compostas, simplicidade operacional e de manutenção, proteção contra incêndio, além de autorização para criar versões de exportação, sendo que a escolha dos fornecedores seria sempre com preferência a itens que eventualmente pudessem ser feitos no Brasil, mesmo dentro de empresas multinacionais.
Desenho em quatro vistas da versão Tamoyo III. Notar o desenho da torre e o canhão de 105mm L7. (Coleção do autor)

          Seu desenvolvimento recebeu fundos do Exército e havia interesse de sua adoção, mas muita coisa mudou no país no final dos anos 80 início dos 90, principalmente a perda do interesse político no projeto, não só neste, mas em quase todos na área militar, a invasão de ofertas de componentes e veículos usados fabricados no exterior, o corte orçamentário no meio do caminho, além da terrível competitividade entre empresas brasileiras, na tentativa de uma aniquilar as outras, visto que não só a Bernardini mas a Engesa também havia desenvolvido um outro blindado que passou a competir diretamente com ele, embora fosse um carro muito mais sofisticado, caro, com uma cadeia logística enorme, o que sem dúvida geraria uma grande dependência externa, além de estar atrelado a uma venda para a Arábia Saudita, de forma que pudesse render frutos para o Exército, como esta não se concretizou e a Engesa teve sua falência decretada em 1993, já era bastante tarde para uma retomada do TAMOYO.
          Ao todo quatro veículos foram fabricados, contando com o mock-up, Tamoyo I, II e III e um quinto ficou inacabado, tendo somente a caixa do chassi e parte da torre, destes quatro ainda existem na atualidade, estando na ordem acima, um no CTEx, dois no IPD (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército), um em pleno funcionamento e o outro inacabado serve como monumento próximo à entrada e um no 3º R.C.C. (Regimento de Carros de Combate). A versão mais moderna denominada de TAMOYO III ficou em poder da Bernardini por algum tempo, tendo sido desmanchado e seus componentes foram devolvidos aos fornecedores estrangeiros de origem em razão de não haver recursos financeiros para suas aquisições. Desta forma nunca se consolidou a melhor versão de série deste carro de combate, o qual nunca foi homologado pelo Exército e quase que caiu no total esquecimento. A Bernardini também não mais existe, encerrou suas atividades em 2001, havia sobrevivido desde 1912, produzindo desde cofres a veículos militares e chegou a ter 450 empregados diretos.
O mock-up do Tamoyo preservado hoje no CTEx. Notar sua nova roupagem, fotografado em 07.08.03 (autor)
Carcaça do quinto Tamoyo que seria produzido, usada como monumento no IPD, no Rio de Janeiro. Nela está a inscrição: AQUI NASCEM OS BLINDADOS BRASILEIROS. (autor)
Tamoyo II em perfeito estado de funcionamento no IPD, Rio de Janeiro. (autor)
Tamoyo I quando pertencia à Escola de Material Bélico – EsMB. Atualmente pertence ao 3º Regimento de Carros de Combate, ambos no Rio de Janeiro. (autor).

          O TAMOYO deveria ter sido o Carro de Combate Brasileiro, pois hoje ao invés de estarmos operando Leopard 1 A1 e M-60 A3 TTS, e sonhando com o Osório, estaríamos equipados com ele na sua versão III ou até quem sabe IV, que poderia estar sofrendo upgrade para torná-lo mais moderno, gerando emprego, conhecimentos e menos dependência externa e sendo um produto de primeira mão, atualizado de acordo com as nossas necessidades, podendo tê-lo em grande quantidade.

          Nunca pensamos em ter um MBT (Carro de Combate Principal), tanto que os ROB nunca os mencionou, ele chegou a nós primeiramente com o sonho e pesadelo criado pela Engesa e depois pela falta de visão estratégica de nossos governantes e alguns militares que deixaram acabar indústrias importantes na área de defesa, abandonaram projetos viáveis e indo pelo caminho mais fácil, voltando em 1996, a importar excedentes do grande “irmão” do norte e da Europa, o que veio apenas prolongar nossa agonia e ampliar ainda mais nossa defasagem tecnológica, pois no momento atual não temos capacidade para conceber e produzir um simples 4x4 blindado, genuinamente nacional, talvez não por falta de capacidade técnica, mas pela eterna falta de recursos para uma área tão vital e importante que é o setor de Defesa.

          Um dos dirigentes da Bernardini certa vez disse: O desejo de ter um equipamento brasileiro deve ser dos brasileiros e não dos fabricantes mundiais. Infelizmente ele estava certo, achamos que poderíamos dar o grande salto de uma só vez ao invés de darmos saltos menores, em várias etapas, como havíamos começado com aquele grupo de estudos de blindados criado dentro do Exército Brasileiro, no PqRMM/2 em São Paulo em 1967, que aprendeu transformando e depois criando, mas o nosso passado muitas das vezes nem sequer é conhecido, quanto mais lembrado, e assim vamos cometendo os mesmos erros de 20 em 20 anos, até quando?

DADOS TÉCNICOS
Tripulação: 4 homens
Dimensões e pesos: Altura até o topo da torre 2,20 mm
Altura até a torreta 2,45 m
Peso vazio: 31 t
Peso em combate: 35 t
Relação peso/potência (máx.): 24,5 HP/ton
Pressão sobre o solo: 0,72 cm2
Comprimento (canhão 12h): 8,77 m
Comprimento (canhão 6h) 7,40 m
Largura (com saias laterais) 3,22 m
Altura livre do solo 0,50 m
Largura da lagarta 0,530 m
Comprimento da lagarta no solo: 3,90 m
Velocidade máxima em estrada: 67 Km/h
Autonomia em estrada: 550 km aproximadamente
Capacidade de combustível: 700 litros
Rampa frontal: 60%
Rampa lateral: 30%
Obstáculo frontal: 0,71 m
Trincheira: 2,40 m
Vau (sem preparaçáo): 1,30 m
Motor: Tipo SAAB-SCANIA DSI 14 ou GM - 8V92TA - Detroit Diesel
Potência: 736 HP
Refrigeração: Agua
Transmissão: Tipo GE-HMPT-500-3, hidromecânica ou CD-850-6 Allison
Número de marchas: avante 3 ré 1
Suspensão: Tipo de suspensão barras de torsão
Amortecedores: 3 cada lado
Tipo de lagarta: pino simples, aço fundido emborrachada com almofadas amovíveis
Sistema elétrico: Voltagem 24 V
Número de baterias 4 x 12 V
Alternador: 28 V
Equipamentos diversos:
Sistema de proteção QBR
Sistema aquecedor
Sistema de combate a incêndio
Sistema de bombeamento de porão
Sistema de Comunicação
Escotilha de escape inferior
Armamento principal:
Calibre: 90 mm hiper velocidade ou 105 mm L-7
Azimute: 360°
Elevação/Depressão: 18°/-6°
Capacidade de estocagem de munição: 68 tiros de 90mm ou 42 de 105mm
Tipos de munição: APDSFS, Hesh, Heat, Smoke
Armamento secundário:
Uma Metralhadora Coaxial de 12,7 mm
Uma Antiaérea na forreta 7,62 mm
Oito Lançadores de Fumígenos
Equipamentos de direção de tiro:
Periscópio com amplificação de visão residual, telémetro laser e janela panorâmica para atirador
Periscópio com amplificação de visão residual, telémetro laser e janela panorâmica para comandante
Computador de tiro
Telescópio auxiliar para atirador
Execução de tiro de canhão e metralhadora coaxial pelo comandante ou atirador
Na versão III: Equipamentos de direção de tiro com computador
Visão noturna e térmica
Estabilização primária por sistema totalmente elétrico.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

KRAZ MAIS UM SUPER CAMINHÃO RUSSO.

A engenharia russa e uma das melhores do mundo e o KRAZ 255B e mais uma prova disso.




                       O KRAZ e um caminhão feito para serviço pesado e não importando as condiçoes do terreno ele passa por qualquer coisa.




       Simples e funcional como tudo deve ser acima motor V8 Diesel abaixo parte da cabine e os comandos.


                   Esta foto acima mostra como o KRAZ e maior em comparação aos outros caminhões.  

ENGESA 5 PROTOTIPOS

 Muitos projetos foram desenvolvidos mas infelizmente   a Engesa   não teve tempo de produzir em uma escala industrial  vamos conhecer alguns.
                                           EE50



  O Engesa EE-50 6x6, projetado no fim dos anos setenta, foi o maior  caminhão militar já desenvolvido no Brasil, com peso vazio de 10,8 toneladas e máximo de 22 toneladas das quais 10 são de carga, ele atinge 80km/h e possui uma autonomia de 700km. Imagine esse caminhão trabalhando na transamazônica e uma pena não ter sido fabricado em larga escala.
                                            EE 3 JARARACA
                                         
                                                     E um veiculo blindado 4x4 de baixo peso chegou a ser produzido e exportado para alguns países mas nunca foi produzido para o exercito brasileiro .
                                                      
                                                     EE 18 SUCURI