domingo, 15 de abril de 2018

Tropas Alpinas - Itália



Uma eventual ameaça terrestre à Itália só pode ocorrer ao norte e nordeste, onde quase toda essa região estratégica é montanhosa. Por isso o Exército italiano criou e mantém, unidades de assalto de montanha, as famosas "Truppe Alpine". São cinco as brigadas alpinas: Taurinese, Orobica, Tridentia, Cadore e Julia. Há também um batalhão permanentemente agregado à OTAN. As mais importantes unidades de combate são um regimento de infantaria e um regimento de artilharia. Dispõem ainda de um batalhão fortificado, um pelotão de paraquedistas-esquiadores, um pelotão de carabineiros, uma companhia de engenharia e um regimento de logística, que usa mulas para o transporte de cargas.
O treinamento e seleção está sob a responsabilidade do 2° Regimento Alpino e da escola de operações nos Alpes, que exige um alto padrão de adestramento para seus soldados, embora enfrente problemas com a composição do Exército, em sua maioria recrutas que servem apenas por doze meses e considerando o tempo gasto com treinamento básico e com o especializado, sobra pouco tempo para o serviço numa unidade de combate.
A arma básica dos Alpinos é o fuzil Beretta BM 59, com peso de 4,5 kg, coronha dobrável, empunhadura de pistola e um gatilho especial de inverno para ser acionado por mão enluvada. Um item projetado especialmente para essa tropa e que acabou sendo adotado por mais de 25 países é o obuseiro portátil Oto Melara modelo 56, de 105 mm, que pode ser desmontado em onze partes, facilitando seu transporte. Utilizam também o míssil antitanque Milan, metralhadoras portáteis também da Beretta, entre outras.
O uniforme dos Alpinos tem como característica principal um chapéu de montanhês de feltro cinza-esverdeado, com uma pena de águia negra e um pompom vermelho do lado esquerdo. A insígnia no quepe mostra uma águia sobre um clarim de infantaria contendo o número do regimento. O uniforme completo de montanha, para o combate, é composto de um macacão branco com capuz e capacete de aço coberto com tecido na mesma cor.

Special Air Services (SAS) - Grã-Bretanha



Criado no início da II Guerra, com o nome de 1º Regimento dos Serviços Aéreos Especiais, com dotação de 390 homens, esteve na campanha do deserto, na Itália e no noroeste da Europa, onde firmaram a sua reputação. Atuou também na Malásia (1952), em Omã (1958), na Irlanda do Norte (1969) e nas Malvinas (1982). Todas essas campanhas tornaram os SAS imbatíveis em ações antiguerrilha e antiterroristas, onde desenvolveram técnicas de combate que mais tarde seriam copiadas por forças especiais em todo o mundo.
Atualmente há três regimentos de 600 a 700 homens cada, selecionados entre voluntários de outras unidades do Exército inglês. Estes passam por um curso, na base do regimento em Hereford, que define se os candidatos têm capacidade de recuperação mental, boas condições físicas e autodisciplina. O processo começa com uma marcha solitária pela floresta, culminando com uma marcha forçada de 24 horas por 64 km e com uma mochila de 25 kg. Os que não desistem passam para um treinamento especializado de quatorze semanas, que inclui pára-quedismo, técnicas de combate e sobrevivência. A partir daí, já como membros do SAS, aprendem línguas, medicina de emergência, demolição, tiro de precisão, entre outros. Somente 20% dos candidatos chegam até o fim, pois exige-se uma combinação rara de talentos que só pode ser encontrada em poucas pessoas.
O SAS usa as armas normais do Exército inglês, como a pistola Browning de 9 mm e a metralhadora de uso geral (GPMG) de 7.62 mm, mas seus componentes são treinados para usar praticamente qualquer tipo de arma estrangeira, seja para aproveitar alguma qualidade especial ou para tirar proveito das armas que lhes caiam nas mãos durante uma batalha. O uniforme também é o padrão do Exército, com alguns detalhes que os distinguem dos demais: a boina cor de areia, a insígnia da boina ( uma adaga alada com a frase em inglês "Quem ousa vence") e as letras "SAS" orladas por asas, no ombro direito. Para missões antiterroristas, há um uniforme todo preto.

Rangers - U.S.Army



O Exército dos EUA tem três batalhões de Rangers: o 1° e o 2° do 75° Regimento de Infantaria e o 3° do 77° . O 1/75 está baseado em Fort Stewart, Geórgia, o 2/75 fica em Fort Lewis, no estado de Washington e o 3/77 em Fort Benning, também na Geórgia. Os Rangers são considerados herdeiros dos antigos índios guerreiros do exército colonial pré-revolucionário. Em guerras convencionais têm como tarefa o reconhecimento em território inimigo, ataques estratégicos, emboscadas e outras missões de alta prioridade. Os três batalhões estão organizados em três companhias cada um, com uma força total de 600 homens. Todos são voluntários vindos de outras unidades do Exército e passam por um treinamento de dois anos, que em alguns casos se estende por mais seis meses.
Os voluntários devem ser especializados em pára-quedismo e na Escola Ranger o curso se inicia com testes físicos, natação e cerca de oito saltos de paraquedas. A seguir concentra-se na preparação militar básica, manuseio de armas e táticas de infantaria. O treinamento prossegue com cursos de navegação terrestre, patrulhamento, manuseio de armas, combate corpo-a-corpo, sobrevivência e alpinismo. O cronograma de treinamento é muito rigoroso, onde o ano é dividido em dois períodos de cinco meses e meio, com apenas duas semanas de licença. Nesse período se exercitam não só nos Estados Unidos, mas também em vários países para que os soldados se habituem a atuar nos mais diversos ambientes e climas. Propositadamente submetidos a forte tensão, o nível de aprovação é de 70% e só então podem usar o distintivo Ranger. O uniforme é uma farda padrão do Exército, com boina preta e a ínsignia na manga direita.
Participaram da intervenção americana na ilha de Granada, no Caribe, em 1983, com grande sucesso. Eles lideraram o assalto ao aeroporto, enfrentando resistência razoável, partindo em seguida para a ocupação da Escola de Medicina, onde resgataram os estudantes americanos, tudo isso num espaço de três horas e meia.

Legião Estrangeira - França



Legionários franceses Nenhuma força de elite está cercada de uma imagem mais romântica e nem foi objeto de tantos enganos e mitos como a Legião Estrangeira francesa. Criada em 1831 para atuar na conquista da Argélia, teve seus primeiros anos conturbados pelas freqüentes guerras contra os árabes, pela indisciplina de seus componentes e pelos conflitos internos. Reformulada em 1835, lutou no norte da África, na Criméia (1854/56), na Itália (1859), na Guerra Franco-Prussiana (1870) e em muitas campanhas coloniais. Teve um papel importante nas duas guerras mundiais, consolidando a sua reputação. Na Primeira Guerra (1914/18) perdeu 115 oficiais e 5.172 legionários e seu Regimento de Marcha foi o mais condecorado do Exército francês. Na Guerra da Indochina, na célebre Batalha de Dien Bien Phu, sete batalhões da Legião foram subjugados pelo Vietminh, sem jamais se renderem. Em seguida atuou mais uma vez na Argélia e na crise do Canal de Suez, no Egito, em 1956. A Legião sempre desempenhou bem o seu papel de defender os interesses da França junto às suas colônias na África, no Pacífico e no Caribe.
Em 1988, após uma reestruturação que reduziu drasticamente os efetivos do Exército francês, a Legião ficou reduzida a um quadro de 7.500 homens e teve algumas de suas bases fechadas, embora ainda permaneça como importante unidade estratégica. A Legião é responsável pelo seu próprio programa de recrutamento e treinamento o qual está a cargo do 1º Regimento Estrangeiro, em Aubagne, onde os novos recrutas começam a prestar serviço e do 4° Regimento Estrangeiro, em Casteinaudar, responsável pelo treinamento especializado. As principais unidades de combate são: 1º Regimento Estrangeiro de Cavalaria (1 REC) estacionado em Orange, parte integrante da 6ª Div.Blindada Leve francesa; 2º Regimento Estrangeiro de Infantaria (2 REI), baseado em Nimes, que atuou em várias campanhas nas colônias; 3º Regimento Estrangeiro de Infantaria (3 REI) localizado em Kourou na Guiana Francesa, especializado em operações de guerra na selva e pela segurança do Centro de Lançamento de Foguetes localizado na região; 5º Regimento Estrangeiro (5 RE) responsável pela segurança da área de testes nucleares da França no atol de Mururoa, no Pacífico; e 2º Regimento Estrangeiro de Paraquedistas (2 REP) baseado na ilha de Córsega, uma força de ação rápida especializada em assalto aerotransportado e ações de comandos.
Legionários francese em missão de patrulhaVoluntários vêm de todas as partes do mundo compondo um grupo com mais de cem nacionalidades. Ao se alistarem recebem um apelido e iniciam um treinamento rigoroso durante as três semanas seguintes, onde serão levados aos limites de suas capacidades físicas e psicológicas. Durante o curso podem pedir dispensa por vontade própria ou serem compulsoriamente dispensados, mas se conseguem lograr êxito são obrigados a cumprir mais cinco meses de serviço. O primeiro ano consiste em treinamento no 4º RE, onde é dada grande ênfase ao condicionamento físico e a habilidade no manejo dos mais diversos tipos de armas. Após o curso básico, alguns são selecionados para o treinamento especializado como operador de comunicações, observador avançado, sniper e técnico em explosivos.
Atualmente a Legião Estrangeira existe como uma força de todas as armas, bem organizada e equipada com armamento padronizado do Exército francês. Divide-se em regimentos de dez companhias, algumas especializadas (reconhecimento, morteiros, blindados leves, etc). Destes o mais conhecido é o 2º Regimento Estrangeiro de paraquedistas, baseado na Ilha de Córsega, no Mediterrâneo, com quatro companhias de combate, que orgulha-se de poder montar uma operação para qualquer parte do mundo em apenas 24 horas. O uniforme dos legionários segue o padrão das demais unidades francesas, acrescido do famoso quepe azul envolto num pano branco (para proteção contra o sol e a areia do deserto), com a parte de cima vermelha e emblema dourado. Para combate usa-se o camuflado padrão, normalmente com a tradicional boina verde. Entre as armas da unidade destacam-se o fuzil FAMAS F1, de calibre 5.56 mm e a metralhadora FN Minimi, de calibre 5.56 mm. O lema da unidade é: Legio patria nostra ("A Legião, nossa pátria").

SEAL - U.S.Navy



As Forças Anfíbias da Marinha americana incluem duas forças especiais: Equipes de Demolição Submarina (UDT - Underwater Demolition Teams) e Equipes Mar-Ar-Terra (SEAL - Sea-Air-Land). Praticamente todos os membros das equipes SEAL saíram das fileiras das UDT e receberam um treinamento extra para as novas tarefas de combate. Este se destina basicamente a capacitá-los para operar com um apoio reduzido e em águas inimigas, ou eventualmente, num campo de luta em terra.
Podem ser transportados até próximo da costa por um navio, submarino ou avião, por isso são treinados como pará-quedistas. Estão organizados em dois grupos: o NSWG 1, sediado na Base Naval de Coronado, em San Diego, formado pelas equipes SEAL 1, UDT 11 e 12; o NSWG 2, sediado em Little Creek, na Vírginia, composto pelas SEAL 2 e UDT 21 e 22. Cada equipe SEAL é composta de 27 oficiais e 156 soldados, divididos em cinco pelotões, cada um deles habilitado a realizar quaisquer operações de forma totalmente independente. O curso de formação dura 24 semanas. Nas primeiras quatro cuida-se da preparação física.
A seguir algumas semanas de exercícios teóricos, natação em mar aberto, trabalhos de demolição e treinos de reconhecimento.Uma para treinamento de fuga e evasão, sobrevivência e navegação em terra, seguida de três para o curso de pará-quedismo e por fim a escola de mergulhadores. Além de todo esse treinamento há um estágio de combate, onde se familiarizam com as características de uma guerra não convencional. Devem ter conhecimento de línguas estrangeiras. Entre seus armamentos estão a metralhadora Stoner M63A1, de 5.56 mm, com capacidade para oitocentos disparos, o fuzil M16 A1 e a pistola Smith & Wesson de 9 mm, especialmente fabricada para as SEAL, em aço inoxidável para evitar a corrosão por água salgada. Não utilizam uniformes especiais, a não ser quando em ação, usando roupas adequadas ao mergulho.

Unidades Spetsnaz - Rússia



Parte das forças especiais do GRU (inteligência militar russa), a Spetsnaz também é conhecida como tropa de dissuasão. Suas tarefas incluem ataques a bases nucleares e a centros de comando inimigos, ataques gerais a alvos civis e militares como fontes de energia e centros de telecomunicações. Calcula-se que em tempo de guerra os russos teriam uma companhia Spetsnaz independente por Corpo de Exército (cerca de 40), uma brigada por front, uma brigada por esquadra e uma unidade de inteligência.
Seu efetivo gira em torno 30.000 homens, estando entre os maiores grupos de forças especiais do mundo, servindo tanto ao Exército quanto à Marinha. Uma companhia Spetsnaz conta com nove oficiais, onze suboficiais e 95 soldados. As brigadas possuem grupos de mini-submarinos, batalhões de mergulhadores de combate, um batalhão de paraquedistas e uma companhia anti-VIP treinada para descobrir, identificar e eliminar líderes políticos e militares do inimigo.
Todos seus membros são voluntários e uma vez selecionados são submetidos a um curso intensivo e os que tiverem melhor desempenho passam por um treinamento mais rigoroso para se tornarem sargentos. Os recrutas devem ter condicionamento físico perfeito, a nível de atletas olímpicos, para poderem suportar o treino intenso, exigindo um esforço máximo para reproduzir situações reais. Uma vez por ano todas as unidades Spetsnaz se reúnem para um exercício conjunto.
O armamento utilizado é composto de fuzil AKS-74, de 5.45 mm, uma pistola PRI com silenciador, faca de combate e seis granadas de mão. Cada unidade porta um lançador SA-7, minas, explosivos e lançador de granadas de iluminação. Para aqueles comandos que estejam infiltrados em países hostis antes de deflagrado um conflito, esses equipamentos devem ser contrabandeados para agentes locais e ficar prontos para uso assim que necessário. Para preservar o sigilo, as unidades Spetsnaz não têm uniforme ou emblema específicos e dentro da Rússia utilizam o mesmo uniforme de combate das tropas de assalto aéreo e das forças aerotransportadas.
Uma ação típica envolve o lançamento de tropas táticas de paraquedas, de 500 a 1000 km dentro do território inimigo, em uma operação maciça e coordenada, sendo alvos prioritários bases de mísseis de longo alcance, lançadores móveis de mísseis, aeroportos e bases aéreas. Tropas com tarefas estratégicas podem entrar em países-alvo disfarçadas com trajes civis, sendo que as unidades navais devem se infiltrar em território inimigo utilizando submarinos.

Comando Delta - US Army

Em 1977 o Exército Americano autorizou a criação de uma nova força especial: o 1º Destacamento Operacional das Forças Especiais - Delta, cuja principal incumbência seria lidar com organizações terroristas que afetassem os interesses dos Estados Unidos. Seguindo o modelo do SAS britânico, o Delta divide-se em grupos de dezesseis homens, podendo operar como uma unidade ou subdividir-se em grupos de oito ou quatro efetivos cada um. Em 1980 foi feita uma reavaliação de alto nível, gerando um relatório com os seguinte pontos principais: 1) Recomendação: criar uma força tarefa conjunta antiterrorista com pessoal permanente e forças próprias; 2) Missão: planejar e conduzir operações antiterroristas visando defender os interesses dos Estados Unidos e de seus cidadãos fora do país; 3) Conceito: poder fornecer uma gama de opções para o uso de forças militares dos EUA, desde uma pequena força de pessoal especializado altamente treinado até uma força conjunta maior; 4) Relacionamentos: os quadros de pessoal seriam preenchidos com elementos das quatro Armas, selecionados com base em sua capacidade em operações especiais de vários tipos; 5) Forças: as forças permanentes deveriam ser pequenas e limitadas ao pessoal de capacidade inigualável em operações especiais.
A seleção e o treinamento, como não poderia deixar de ser, são rigorosos, com ênfase no potencial e nas qualidades individuais, em favor do trabalho de equipe. Os padrões de tiro ao alvo são muito elevados e os snipers devem conseguir um índice de 100% nos disparos feitos a 500 metros e de 90% a 900 metros. Todos são exaustivamente treinados em disparos a curta distância, para assegurar que em um confronto em ambientes fechados, como prédios ou cabines de aeronaves, somente os terroristas sejam atingidos, garantindo a vida dos reféns. Pouco é divulgado sobre as armas e equipamento do Delta, embora seja óbvio que seus integrantes estejam aptos a utilizar tudo o que a mais avançada tecnologia possa oferecer. Os atiradores sniper usam fuzis Remington 40 XB, com visor telescópico e as equipes usam metralhadoras M-60 e HK-21, terminais de comunicação portáteis de última geração, óculos de visão noturna, fuzis M-16 aperfeiçoados, pistolas automáticas entre outros equipamentos.
Participaram da fracassada Operação Eagle Claw, em 1980, na tentativa de resgatar os reféns americanos mantidos cativos na embaixada dos Estados Unidos no Irã, por seguidores do Aiatolá Khomeini. Sua mais recente missão foi na ofensiva americana contra o Afeganistão, onde foram os primeiros a desembarcar em solo afegão, na caçada aos terroristas da Al Qaeda e de Osama Bin Laden.